30/10 - 11:28, atualizada às 15:13 30/10 - Agência Estado
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que os bancos centrais têm por finalidade estimular o crescimento econômico. Mas, segundo ele, a melhor maneira de se fazer isso é garantindo a estabilidade econômica.
"A experiência internacional mostra que a inflação baixa e a estabilidade econômica são fundamentais para o crescimento", disse Meirelles, que participa esta manhã de audiência pública conjunta de uma série de comissões no Congresso Nacional.
Em sua apresentação, Meirelles destacou a "relativamente alta volatilidade" dos mercados internacionais, derivada da crise de hipotecas de risco (subprime) nos EUA. Ele explicou a deputados e senadores a natureza dessa crise e disse que ela gerou um aumento na percepção de risco pelos bancos que afetou a liquidez dos mercados interbancários dos EUA e Europa. "Houve o que chamamos de empoçamento de liquidez. Os bancos que tinham liquidez não queriam emprestar recursos a outras instituições", disse.
Brasil
Segundo Meirelles, essa crise de liquidez não afetou o mercado brasileiro que "funcionou na mais absoluta normalidade". Meirelles destacou que o aumento da turbulência nos mercados internacionais ocorreu no momento em que o Brasil está mais preparado. Segundo ele, medidas adotadas pelo governo e pelo Banco Central deixaram o País mais protegido contra choques.
Ele citou, por exemplo, a medida do BC que limitou a exposição cambial do sistema financeiro, o aumento das reservas internacionais para o patamar de US$ 160 bilhões que, segundo ele, se torna mais consistente com os compromissos e a integração internacional do Brasil. Meirelles também citou a redução da dívida pública cambial que, segundo ele, tirou do perfil da dívida qualquer efeito de uma depreciação cambial. Segundo ele, com a redução da dívida em câmbio, quando há uma elevação do dólar, a relação dívida/PIB se reduz.
Segundo o presidente do BC, um sinal de que o Brasil não foi afetado pelas turbulências internacionais é que as avaliações de risco se mantiveram positivas. Ele também afirmou que, como a economia brasileira está menos volátil, brasileiros e estrangeiros se sentem mais à vontade de investir.
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