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Análise: Eufórico, mercado antecipa corte do Fed

29/10 - 10:13, atualizada às 10:25 29/10 - Valor Online

SÃO PAULO - E se o Federal Reserve (Fed), como fez em sua última reunião de política monetária, no dia 18 de setembro, desencadeando uma onda de euforia, resolver de novo surpreender os mercados? O consenso para a penúltima reunião do ano do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), cujo resultado será conhecido às 16h15 da quarta-feira, é de um corte do juro básico americano de 0,25 ponto, dos atuais 4,75% para 4,50%. 

Mas o consenso não é maciço. Parte dos analistas acredita que o Fed irá manter a taxa, adiando a redução para o último encontro do ano, dia 11 de dezembro. A grande surpresa será, portanto, se o Fomc decidir perseverar no ritmo de baixa decidido no mês passado, de 0,50 ponto. Não seria uma decisão incompatível que o atual patamar dos juros dos títulos do Tesouro americano de maior prazo.

Dias para o dólar aprofundar mergulho Os mercados sujeitos a risco operaram sexta-feira em estado de graça antecipando uma decisão do Fomc pró-corte, mas sem esperar por nova redução radical de 0,50 ponto, a despeito de os juros dos treasuries não denunciarem uma diminuição no grau de proteção exigido pelos grandes investidores contra a instalação de um processo recessivo nos EUA capaz de agravar a crise de crédito.

A taxa do título de 10 anos subiu marginalmente de 4,3853% para 4,4035%. Nem acalmou a procura por ouro, ativo a salvo de turbulências nos mercados e que fornece um seguro contra a depreciação mundial do dólar e contra a insensatez geopolítica.

Na sexta-feira, a onça-troy avançou 1,96%, cotada a US$ 783,60 em Nova York. Mesmo assim, a exuberância marcou os pregões de ações. O índice Dow Jones subiu 0,99% e a Nasdaq, 1,93%. O ingresso de capital externo e as operações futuras com câmbio afundaram mais ainda o dólar na sexta-feira. A moeda caiu 1,39%, cotada a R$ 1,7690, menor preço desde 18 de abril de 2000.

O tombo teve respaldo técnico no excelente volume de negócios registrado pelo mercado interbancário, de US$ 4,66 bilhões. Metade disso foi dinheiro trazido por investidores externos para comprar as ações da Bovespa Holding. A outra parte resultou dos negócios normais de câmbio, entre as quais as vendas de aplicadores em futuros de câmbio. Os vendidos em cupom cambial, dólar futuro e opções têm de hoje até a quarta-feira para puxar para baixo a ptax, a taxa média oficial de câmbio que irá, na quinta-feira, liquidar os contratos.

A expectativa é de forte queda da moeda nesses três dias finais de outubro. Não se pode dizer que o Banco Central tentou mitigar o tombo do dólar na sexta-feira. As suas intervenções foram meramente rotineiras. No mercado futuro, limitou-se a rolar o vencimento de US$ 2,5 bilhões em swaps cambiais reversos marcado para a quinta-feira. E, no à vista, embora o volume, cerca de US$ 350 milhões, adquirido em leilão realizado às 12h20 tenha sido mais que o dobro dos anteriores, sua atuação não teve força para interferir na formação do preço de mercado.

O pregão de juros futuros da BM & F, ao contrário do câmbio e da Bolsa, teve uma sexta-feira das mais calmas, com volume diminuto de negócios. Apesar da derrocada do dólar, não há janela para se apostar quando o Copom irá descongelar a taxa Selic. Isso amarra os contratos mais curtos. E os mais longos limitam-se a refletir a cena externa e a direção assumida pelo dólar doméstico. O swap de 360 dias caiu de 11,41% para 1,35%. O DI futuro não poderá usar as mudanças introduzidas na diretoria do BC para sacudir o seu marasmo.

Os três novos membros do Copom - cujo número de participantes com direito a voto subirá de sete para oito depois que o Congresso aprovar os nomes propostos - integram as diretorias do BC menos afinadas com os destinos da política monetária. O núcleo duro do Copom, o que de fato decide o rumo da taxa Selic - formado pelos diretores Mário Mesquita (Política Econômica), Mário Torós (Política Monetária e Câmbio), Alexandre Tombini (Normas e Organização) e pelo presidente Henrique Meirelles - mantém-se intacto. Talvez os baixistas lamentem a saída de Paulo Vieira da Cunha da diretoria de Assuntos Internacionais.

Mas o Copom vem agindo monoliticamente nas últimas reuniões. A decisão de política monetária que o Fomc tomará na quarta-feira ocorre ironicamente antes da divulgação de dois dados cruciais sobre a economia americana.

Na quinta-feira, sai o índice de inflação mais observado pelo Fed, o PCE (índice de gastos pessoais dos consumidores americanos), relativo a setembro, para cujo núcleo os analistas prevêem alta de 0,20%, ante 0,10% em agosto. E na sexta-feira será editado o relatório de emprego referente a outubro. Muitas analistas acreditam que o Fomc decidirá já sabendo as direções tomadas pelos dois indicadores. (Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico )

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