SÃO PAULO - A Cisco Systems, empresa americana de soluções tecnológicas, emitiu comunicado no Brasil no qual confirma que as autoridades brasileiras " visitaram e fecharam temporariamente os escritórios da Cisco em São Paulo e no Rio de Janeiro " . Na nota, a companhia afirma que a ação foi consequência da investigação de um " suposto esquema de sonegação de impostos " que envolveria empresas brasileiras, entre as quais " pelo menos uma delas é um revendedor da Cisco no Brasil " . A nota prossegue com a garantia de que a Cisco está cooperando com as autoridades e apurando o que aconteceu no país. Frisa que as vendas no Brasil representam apenas 1% dos negócios da companhia e que as operações são realizadas apenas por meio de parceiros diretos, pois não há estrutura de vendas diretas aqui.
A Cisco do Brasil - que tem o papel comercial no país, uma vez que todos os produtos vendidos são importados - estaria entre as companhias investigadas pela Receita Federal num esquema de sonegação em importações que envolve várias empresas. Desmontado pela operação Persona (que determinou a prisão de 40 pessoas), o esquema teria gerado sonegação de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, nos últimos cinco anos, na entrada fraudulenta de produtos estrangeiros. Como os mandados de prisão e apreensão foram expedidos pela Justiça em processos sigilosos, o nome da multinacional e das outras empresas não foi divulgado oficialmente.
Os papéis da Cisco fecharam, ontem, a US$ 32,29, o que significa uma queda de 1,52%. No mês, as ações acumulam uma perda de 2,54%, mas no ano registram valorização de 18,15%. A companhia negocia ações na Nasdaq, a bolsa eletrônica americana. A Mude, distribuidora dos produtos da Cisco em São Paulo, seria outro alvo da operação Persona. Procurada pelo Valor, a empresa disse que seus executivos não falariam sobre o assunto. Criada em 1984, a Cisco chegou a ser a companhia mais valiosa do mundo no início do ano 2000, no auge da bolha pontocom, ultrapassando marcas mais antigas, como GE e Coca-Cola. Nos meses seguintes, porém, com o estouro da bolha, muitas companhias de internet - que respondiam pelo grosso dos negócios da Cisco - foram varridas do mapa, deixando a fabricante em uma situação difícil. No ano fiscal 2001, o primeiro depois da crise pontocom, a empresa registrou prejuízo de US$ 1 bilhão, em contraste com o lucro líquido de US$ 2,7 bilhões do ano anterior. Sob o comando de seu executivo-chefe, John Chambers, a Cisco reagiu: cortou os gastos com produção pela metade, reduziu drasticamente as despesas com marketing e desacelerou sua política de aquisições - uma das mais intensivas do setor de tecnologia da informação. À produção de roteadores e switches - equipamentos que encaminham o tráfego das informações na rede -, a Cisco acrescentou novas áreas de interesse, como telefonia via internet, dispositivos de segurança e sistemas sofisticados de videoconferência. Como resultado das mudanças, a companhia encontrou seu caminho de volta ao lucro: nos últimos cinco anos, o faturamento da Cisco saltou de US$ 18,9 bilhões para US$ 34,9 bilhões. O lucro líquido mais que dobrou, aumentando de US$ 3,6 bilhões para US$ 7,3 bilhões. No Brasil, a empresa realizou uma troca de comando em novembro do ano passado. A direção dos negócios foi assumida por Pedro Ripper, que passou por outros cargos na companhia, desde sua entrada em 2003. Então com 33 anos de idade, Ripper ocupou o cargo antes exercido por Rafael Steinhauser, que entrou na Cisco em 2002 para dirigir a área de telecomunicações e chegou à presidência da empresa. Steinhauser deixou a companhia em outubro do ano passado. A Cisco tem sede em San Jose, no estado da Califórnia, mas seu nome é uma homenagem à vizinha San Francisco, onde viviam seus fundadores. (Valor Online e Valor Econômico)