17/10 - 09:39 - Valor Online
BRAZZAVILLE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem durante sua visita a Brazzaville, capital da República do Congo, que estão em fase final os estudos para que o Brasil possa transformar em linha de financiamento a dívida vencida há vários anos de aproximadamente US$ 360 milhões com o governo brasileiro. A linha seria uma forma de assegurar o uso dos recursos na compra de bens e serviços de empresas brasileiras.
Embora Lula tenha feito a proposta, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, explicou depois que tecnicamente o que o Brasil deverá fazer mesmo será perdoar até 90% da dívida na forma estabelecida nas negociações Clube de Paris (instância de negociações de dívidas multilaterais).
O Brasil já perdoou débitos de outros países como Moçambique, também na África. A diferença no caso da República do Congo é que o Brasil pensa em aproveitar esse perdão para criar novas oportunidades de negócios, aproveitando que o país africano possui agora recursos, gerados principalmente, com exportações de petróleo e está anunciando um esforço para desenvolver sua infra-estrutura que, além de incipiente, ficou ainda mais empobrecida após anos de guerra interna.
O Brasil quer agora que o dinheiro que deveria ser usado para pagar a dívida seja canalizado para compra de bens e serviços brasileiros nesta etapa de investimentos congoleses. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, uma das perspectivas imediatas de contratação de obras pela República do Congo com o Brasil será a construção de uma ponte sobre o Rio Congo, ligando Brazzaville a Kinshasa, capital da vizinha República Democrática do Congo.
A construtora Andrade Gutierrez , que já construiu uma estrada na floresta tropical congolesa, várias vezes reverenciada pelo presidente congolês, Denis Sassou-Nguesso, durante a visita de Lula, é uma das fortes candidatas a fazer a ponte. Na visita de menos de um dia a Brazzaville, Lula, mais uma vez, nesta viagem, fechou os olhos para os problemas de democracia de um país africano e chegou a elogiar o esforço de Sassou-Nguesso pela democracia e pela paz. O presidente do Congo está no poder desde 1997 após um golpe de Estado. Antes ele havia presidido o país pela via eleitoral de 1979 e 1992.
Lula assinou acordos de cooperação nas áreas de saúde e agricultura, neste último caso, nas área de cana-de-açúcar e palma, matérias-primas para biocombustíveis. Difundir a produção de etanol e biodiesel é uma das metas de Lula na viagem e ele conseguiu despertar o interesse do presidente congolês, apesar de o país ser importante produtor de petróleo na África. (Chico Santos | Valor Econômico )
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