SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou hoje os termos de sua oferta de ações. A distribuição secundária que lista a companhia no Novo Mercado pode passar de R$ 5,3 bilhões.
A oferta da Bovespa Holding, empresa que controla a Bolsa, pode ser a maior do país, superando a Redecard, que movimentou R$ 4,64 bilhões.
De acordo com o prospecto, serão ofertadas 250.492.283 ações ordinárias, com preço de emissão estimado entre R$ 15,50 e R$ 18,50. Tomando por base o teto da estimativa, a oferta movimentará R$ 4,63 bilhões, montante que pode passar de R$ 5,3 bilhões caso seja exercida a opção por lote suplementar de 15%. Os bancos Goldman Sachs, Credit Suisse e UBC Pactual coordenam a operação em conjunto com o Itaú BBA, Bradesco BBI, BB Investimentos, Deutsche Bank, HSBC e Santander.
O investidor pessoa física interessado em participar terá de 15 a 23 de outubro para fazer seu pedido de reserva junto às corretoras consorciadas. O valor mínimo de investimento é de R$ 3 mil. Pelo cronograma, as ações começam a ser negociadas no dia 26 de outubro, sob o código BOVH3.
Os maiores acionistas são o Itaú e Santander, com 5,64% e 5,56% de participação, respectivamente. O restante do capital está pulverizado entre as sociedades corretoras.
Resultado do processo de desmutualização, a Bovespa Holding controla agora a Bovespa e a Companhia Brasileira de Liquidação de Custódia (CBLC).
Pela antiga estrutura, o acesso aos sistemas de negociação era vinculado à propriedade de títulos patrimoniais e, após a desmutualização, o acesso passou a ser regido por um regulamento para Instituições Intermediárias de caráter essencialmente comercial. No caso da CBLC, o acesso dos agentes de compensação estava vinculado à propriedade de ações da mesma e, agora, tais agentes passaram a atuar sem essa condição.
Com a desmutualização, a Bovespa deixou ser uma sociedade sem fins lucrativos e agora tem de apresentar resultados aos seus acionistas. Beneficiada pelo forte crescimento no número de negócios dos últimos anos, os resultados da companhia crescem de forma surpreendente. A principal fonte de receita é a cobrança de emolumentos - que consistem de um percentual cobrado sobre o volume financeiro negociado e liquidado.
O volume médio diário negociado aumentou de R$ 558 milhões em 2002 para R$ 2,4 bilhões em 2006, o que representa uma taxa média composta de crescimento anual de 44,5%. Já quando comparados aos primeiros nove meses de 2006 com igual período deste ano, o crescimento foi de 88,4%, saindo de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,3 bilhões. (Eduardo Campos | Valor Online)