Londres, 26 set (EFE).- Mianmar (ex-Birmânia), que atualmente enfrenta uma onda de protestos populares contra a Junta Militar que governa o país, é a nação com os maiores índices de corrupção do mundo, segundo o relatório de 2007 da organização Transparência Internacional (TI).
O Índice de Percepção da Corrupção, divulgado hoje em Londres, destaca que esse fenômeno continua "fortemente" associado à pobreza, que castiga países como Mianmar e Somália, que aparecem nos últimos lugares da lista.
"Apesar de algumas melhoras, a corrupção continua representando um enorme desperdício de recursos necessários para alimentar, vestir e educar milhões de seres humanos", disse a presidente da TI, Huguette Labelle, ao divulgar a classificação.
O índice deste ano é o mais amplo organizado até agora: analisa 180 países e territórios, e os qualifica com uma pontuação de 0 a 10 (de mais a menos corrupção). Três de cada quatro nações obtiveram pontuações inferiores a 5.
De acordo com Huguette Labelle, os resultados proporcionam "outra peça do quebra-cabeça que vincula pobreza e corrupção, destacando a crescente brecha entre países ricos e pobres" quanto à percepção do fenômeno.
Nesse sentido, ela destacou que 40% dos países que recebem uma pontuação inferior a 3 - o que indica que a corrupção é percebida como "desenfreada" -, são "desesperadamente pobres".
"Somália e Mianmar, que compartilham a pior pontuação (1,4), têm um Produto Interno Bruto (PIB) anual médio per capita de US$ 600 e US$ 1.800, respectivamente", afirmou a presidente da TI.
"Outros países com grandes problemas, como Afeganistão, Iraque e Sudão, onde convergem guerra, corrupção e pobreza, continuam nas piores colocações do índice", acrescentou.
No entanto, a corrupção "não é simplesmente um problema de países pobres", como mostram os contínuos escândalos protagonizados por Governos e empresas no mundo desenvolvido", disse Huguette Labelle, que também ressaltou a responsabilidade dos países ricos por "levar" a corrupção às nações pobres.
"Os países com piores pontuações devem levar esses resultados a sério e atuar agora para reforçar a responsabilidade das instituições públicas", acrescentou. A TI luta contra a corrupção e tem seu secretariado internacional em Berlim.
As nações nórdicas são as que obtiveram as melhores pontuações no índice. A Dinamarca e a Finlândia compartilham com a Nova Zelândia uma pontuação de aproximadamente 9,4.
O Índice 2007 destaca as qualificações "significativamente" mais altas de vários países africanos, como Namíbia, África do Sul e Suazilândia, o que reflete, de acordo com a organização, os esforços contra a corrupção na África.
Além disso, a lista ressalta como Itália, Croácia, República Tcheca e Romênia, entre outros países, melhoraram suas posições, enquanto Áustria, Jordânia e Tailândia pioraram nos níveis de percepção da corrupção.
De acordo com a TI, o número significativo de países do sul e leste da Europa entre os que apresentaram progressos no índice é prova do efeito positivo do processo de adesão à UE na luta contra a corrupção.
Quanto às nações latino-americanas, as melhores posições correspondem ao Chile e ao Uruguai, enquanto as piores são as do Haiti, da Venezuela e do Equador.
O Brasil aparece na 72º colocação geral, com nota 3,5. Entre as nações latino-americanas, o país aparece na 13ª posição.
O Índice de Percepção da Corrupção 2007 se baseia em 14 pesquisas e estudos organizados por 12 instituições independentes, com a opinião de especialistas e empresários residentes e não residentes dos 180 países e territórios examinados.
Entre suas recomendações, a TI pede aos países em desenvolvimento que fortaleçam suas instituições governamentais e incorporem a prevenção da corrupção como uma parte dos planos para reduzir a pobreza.
Além disso, defende a consolidação da independência judicial e a introdução de medidas contra a lavagem de dinheiro. EFE ep is