25/09 - 11:08 - Valor Online
BRASÍLIA - A " nova " Varig, controlada pela Gol, definiu o cronograma para a retomada completa dos vôos internacionais abandonados em 2006. Até junho de 2008, a companhia terá 15 aviões 767-300 da Boeing para suas rotas ao exterior.
Eles serão usados nas ligações para a Cidade do México (com início previsto para 27 de outubro), Montevidéu e Londres (1º de novembro), Santiago (15 de novembro) e Madri (15 de dezembro). Em março do ano que vem, deverão ser retomados os vôos para Miami. Em abril, para Nova York. A tendência é usar o aeroporto de Guarulhos como ponto de partida. Com a volta das antigas operações, a expectativa dos controladores é que a Varig comece a dar resultados financeiros positivos a partir de março ou abril de 2008.
Na última quinta-feira, a VRG Linhas Aéreas - nome oficial da nova Varig - reinaugurou seu vôo para Paris e Roma. A própria direção da empresa admite, no entanto, que os serviços oferecidos ainda estão longe do padrão de qualidade prometido com a compra pela Gol. Por enquanto, a prioridade total é retomar as antigas rotas para a Europa, asseguradas na Justiça até o fim do ano, sem perdê-las para concorrentes. Por isso, os executivos da Varig estão fazendo um verdadeiro malabarismo na área de planejamento. A primeira dificuldade é encontrar, no mercado internacional, aeronaves wide body (de longo curso) disponíveis para leasing imediato.
Parte dos jatos alugados pela Varig, ou em fase de negociação para assinatura do leasing, não ficará com a empresa por muito tempo. É o que ocorrerá, por exemplo, com o Boeing 767-300, prefixo PP-VTC, que fez o vôo inaugural São Paulo-Paris-Roma. Com 15 anos de uso, ainda pode-se ver o logotipo da Euro Atlantic Airways, última empresa a usar o avião, por baixo da pintura da Varig. A aeronave será devolvida no segundo trimestre de 2008.
Na verdade, nem as cores, nem a configuração interna das aeronaves atualmente usadas são as definitivas. O novo lay-out dos aviões começará a ser implantado entre abril e maio. As novidades ocorrerão aos poucos, até outubro, com mudanças que envolvem os serviços de bordo, salas VIP e até no visual das aeronaves. Por ora, no entanto, o passageiro terá a sensação de voar pela antiga aérea da Fundação Ruben Berta. "Nossa preocupação agora é cumprir os prazos para retomar as rotas de uma empresa que foi desmanchada nos últimos dez anos", observa o diretor comercial da Varig, Lincoln Amano.
Sinal das dificuldades: a rota Paris-Roma será desmembrada, mas ainda não há data. Para cumprir com os planos de retomar os vôos ao México em 27 de outubro, a ligação com a França e Itália poderá ser interrompida por até três semanas, caso não sejam encontradas mais aeronaves a tempo, no mercado. Os passageiros seriam realocados nos vôos de Guarulhos e do Galeão para Frankfurt, com conexão para Paris e Roma bancadas pela Varig.
Apesar dos problemas, Amano e Tarcísio Gargioni, vice-presidente de marketing e serviços da Gol, estão cheios de planos. Eles esperam reiniciar cinco vôos diários da Varig para Buenos Aires, nos próximos dias, chegando a sete freqüências na alta temporada.
A malha doméstica será reforçada, em 2008, com novos vôos dos aeroportos de Guarulhos e do Galeão - hoje as rotas nacionais estão concentradas em Congonhas. Isso será possível porque a VRG terá, em junho, 20 aviões Boeing 737 - boa parte da versão 800 da série, mais modernos. No médio prazo, a empresa não descarta estabelecer novas ligações internacionais - alvos declarados são Portugal, Los Angeles, China e Japão.
Da mesma forma, outra novidade mais adiante pode ser a volta a um grupo de empresas aéreas. A VRG já retornou à câmara de compensação da Iata (associação mundial das aéreas), o que lhe permite ter acordos com outras empresas do setor.
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