07/09 - 11:41 - Reuters
WASHINGTON - A economia norte-americana perdeu 4 mil postos de trabalho em agosto, o primeiro resultado negativo em quatro anos nos números mensais, informou o governo em um relatório que deve aumentar a pressão para que o Federal Reserve corte a taxa de juros. A surpreendente queda no relatório sobre empregos de agosto foi amplamente contrária às expectativas de que as contratações continuariam crescendo e ocorre antes mesmo que o aprofundamento da crise do crédito imobiliário de alto risco tenha começado a ter um impacto sobre a economia. Muitas das instituições financeiras atingidas pela crise do subprime só começaram agora a anunciar demissões.
A última vez que a economia teve uma redução nos empregos foi em agosto de 2003, quando 42 mil postos de trabalhos foram cortados.
Além da contração na criação de empregos em agosto, o Departamento do Trabalho revisou para baixo as estimativas de contratação de junho e julho em um total de 81 mil postos de trabalho. O departamento informou que foram criados 68 mil empregos em julho, ante os 92 mil divulgados anteriormente, e 69 mil em junho, em comparação aos anteriores 126 mil.
Apesar da queda no número de postos de trabalho, a taxa de desemprego, que é compilada em outra pesquisa, se manteve estável em 4,6 por cento. Ela tem permanecido na faixa entre 4,4 e 4,6 por cento desde setembro do ano passado.
Economistas ouvidos pela Reuters uma semana atrás previam a criação de 110 mil postos de trabalho em agosto, mas muitos analistas tinham reduzido suas expectativas a partir dos crescentes sinais de que o mercado de trabalho está sob pressão.
Ainda há uma considerável incerteza sobre como a turbulência nos mercados de crédito, que ocorreu em meados de agosto, irá afetar a economia como um todo, embora o secretário do Tesouro, Henry Paulson, tenha reconhecido na quinta-feira em uma entrevista à TV que ele espera que o crescimento venha a pagar uma 'pena' devido às quedas nos mercados financeiros.
O recuo nos empregos em agosto se concentrou no setor de produção de bens. Foram cortados 46 mil postos de trabalho manufatureiros, a maior queda desde os 86 mil de julho de 2003.
O setor de construção cortou outros 22 mil empregos, mais do que os 14 mil que foram perdidos em julho.
Já o setor de serviços teve uma contratação líquida de 60 mil pessoas em agosto.
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