01/09 - 14:12 - EFE
O presidente George W. Bush afirmou hoje que a economia dos Estados Unidos "continua forte", e ofereceu ajuda aos compradores de casas que enfrentam o aumento dos pagamentos de suas hipotecas ou a perda de suas propriedades.
Em sua mensagem de sábado pelo rádio, Bush se referiu "às turbulências no negócio das hipotecas", e as descreveu como "um período de ajuste".
Em outra mensagem, por causa do Dia do Trabalho - que nos EUA é comemorado na primeira segunda-feira de setembro - Bush sustentou que "a economia do país é construída com base no trabalho duro e na força do povo americano".
"Não há limite para nossos cidadãos quando eles têm a habilidade para competir e a liberdade para alcançar seus sonhos", acrescentou.
"Os trabalhadores dos EUA fortalecem nossa economia e tornam realidade a grande promessa de nossa nação".
A "bolha imobiliária" começou a inflar há cerca de quatro anos quando os bancos e as empresas de hipotecas ofereceram empréstimos com taxas de juros fixo e depois variável a compradores que precisavam de crédito sólido.
Há cerca de 20 meses a "bolha" se rompeu: os preços das propriedades caíram, as vendas diminuíram, e milhões de compradores que agora vêem os juros de seus empréstimos serem reajustados, descobrem que o valor de mercado de suas casas está abaixo do empréstimo.
Desde julho de 2006 o número de imóveis sob execução judicial duplicou nos Estados Unidos à medida que mais e mais compradores se depararam com a fase de juros reajustáveis de seus empréstimos.
As hipotecas de alto risco, dadas a compradores com crédito fraco, representam quase 40% de todas as feitas no ano passado.
Esta semana, Bush e o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, afirmaram que a vigilância está sendo mantida sobre o setor das hipotecas, e o presidente mencionou algumas medidas que aliviariam os pagamentos das cotas mensais a alguns compradores que têm bom histórico de crédito.
Bush disse que uma de suas prioridades é "ajudar os proprietários de casas a enfrentarem os desafios financeiros de modo que as famílias possam permanecer em seus lares".
"A casa própria sempre foi parte do 'sonho americano'", sustentou. "Durante minha administração conseguimos taxas de propriedade de imóveis sem precedentes".
Bush disse que seu governo "lançará uma iniciativa para evitar a perda do imóvel que ajudará os donos de casas a se informarem melhor sobre suas opções de refinanciamento".
As propostas do presidente Bush para aliviar o sofrimento dos hipotecados ajudarão alguns compradores de imóveis, mas não farão muita diferença, segundo alguns analistas.
"São idéias relativamente pequenas", disse à agência Efe o analista Jared Bernstein, do Instituto de Política Econômica, um grupo de estudo sediado em Washington. "São úteis e ajudarão algumas pessoas a evitarem a execução judicial".
"Mas estas propostas não trazem muita água para apagar o fogo", acrescentou Bernstein, referindo-se aos mais de dois milhões de hipotecas cujos juros aumentarão nos próximos meses.
O senador democrata de Nova York, Charles Schumer, disse em entrevista coletiva que "o presidente começa a soar como um democrata, parece estar se libertando de sua camisa de força ideológica e vê que em tempos de crise" o governo federal deve ajudar os cidadãos com problemas.
Andrew Jakabovics, do Centro Progressista Americano, um grupo de estudo também sediado em Washington, disse que "já era hora de o presidente Bush prestar atenção ao mercado das hipotecas e se dar conta dos sofrimentos crescentes dos compradores de imóveis".
"O presidente sustentou, de maneira firme e correta, que o governo não deve salvar os especuladores, mas - no que pode ser uma mudança filosófica fundamental - também reconheceu que o governo tem que intervir na crescente crise dos empréstimos hipotecários", acrescentou.
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