27/08 - 15:05 - AFP
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, deu a entender nesta segunda-feira que a alta dos juros na zona euro esperada para o início de setembro não é certa, após as turbulências ligadas à crise do crédito imobiliário de risco (o "subprime") nos EUA.
"A avaliação do conselho de governadores será em 6 de setembro, data da próxima reunião em que a situação econômica européia e mundial será estudada em detalhe", declarou o francês, durante um fórum econômico em Budapeste.
"Tomaremos nossa decisão nessa ocasião", resumiu.
Frase pequena, porém nada ingênua, já que os mercados e economistas apostam em sua grande maioria numa alta das taxas diretrizes nessa data, uma expectativa amplamente alimentada pelo próprio BCE.
Em 2 de agosto, Trichet havia destacado a "grande vigilância" dos guardiões do euro sobre os riscos de superaquecimento inflacionário derivados de uma retomada econômica sólida na zona euro e riscos de uma nova disparada dos preços do petróleo.
Esta expressão vinha até aqui levando os analistas a esperar uma alta. O BCE já aumentou oito vezes as condições do crédito na zona euro desde dezembro de 2005, elevando sua taxa básica de 2% para 4%.
Trichet também disse, como é de costume, que o BCE nunca se comprometeu a antecipar suas decisões de política monetária, uma precaução habitual que lhe permite hoje cogitar a possibilidade de statu quo monetário ao mesmo tempo em que a de alta dos juros.
"Estas declarações (de 2 de agosto) foram feitas antes das turbulências do mercado", insistiu Trichet, dando a entender que talvez o conselho revise sua opinião quanto à necessidade de aumentar as taxas em setembro.
ilp-zs/lm
Publicidade
