22/08 - 14:29 - Agência Estado
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje, no Itamaraty, que tornou-se "fundamental" e "urgente" a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), diante da crise gerada no mercado imobiliário dos Estados Unidos. As negociações da Rodada devem ser retomadas no início de setembro, depois de uma pausa provocada pelas férias européias neste mês.
Em seu discurso na abertura do Fórum de Cooperação Ásia do Leste-América Latina (Focalal), que reúne ministros e representantes de 33 países entre hoje e amanhã, Amorim insistiu que o acordo deve ser equilibrado e justo, deve levar em conta os interesses dos países menos desenvolvidos e "fazer jus" a seu nome - Rodada do Desenvolvimento. "Uma conclusão exitosa da Rodada Doha, que promova o desenvolvimento das nações mais pobres, torna-se ainda mais urgente, à luz das turbulências do mercado financeiro, geradas nos países mais ricos, mas que nos afetam a todos", declarou.
Vários países presentes no Focalal fazem parte do G-20, grupo de economias em desenvolvimento que atua em conjunto na negociação do capítulo agrícola sob a liderança do Brasil e da Índia. Outros, como o Japão, estão na mão contrária - entre os países que mais subsidiam o setor agrícola no mundo. Em seu discurso, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Aso, afirmou que o Focalal "é um poderoso condutor da economia mundial" e tem uma enorme responsabilidade de dar um forte empurrão na Rodada Doha. Conforme declarou, os rascunhos de acordos nas áreas agrícola e industrial - apresentados em julho passado pelos presidentes dos respectivos comitês de negociação - são boas bases para se trabalhar.
'Configuração de forças'
O ministro Celso Amorim, declarou que a América Latina e a Ásia do Leste buscam seus lugares na "nova configuração de forças" deste início de século e que a aproximação entre ambas as regiões contribuirá para uma "ordem mundial mais democrática e pluralista". Em seu discurso na abertura do Focalal, Amorim fez eco a um recorrente argumento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que a distância geográfica não é um impedimento para a cooperação entre as regiões. "Essa desculpa não vale mais", afirmou.
Diversificação
Amorim insistiu duas vezes que a integração da América do Sul, com vistas à integração de toda a América Latina, é uma prioridade "não excludente" do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse sentido, o País não estaria descuidando de suas relações com os países desenvolvidos e pretende reforçar seus laços com outras regiões. "Buscamos parceiros em todos os quadrantes para cooperar, diversificar nossas opções e incrementar conjuntamente nossas capacidades. O relacionamento com a Ásia do Leste integra esse esforço de diversificação", declarou, ao explicar indiretamente a inflexão na política externa brasileira no segundo mandato de Lula.
"A cooperação Sul-Sul não exclui os contatos diretos com países desenvolvidos que estejam dispostos a cooperar e a avançar juntamente conosco. A cooperação Norte-Sul ganha uma nova dimensão quando logramos realizar projetos trilaterais em benefício de países mais necessitados", completou.
Interesses conjuntos
Embora o Focalal seja, por enquanto, apenas um instrumento para o conhecimento recíproco entre as regiões e para a identificação de pontos de convergência em projetos econômicos e sociais, Amorim comentou as perspectivas de que essa cooperação flua para os interesses conjuntos nas áreas de infra-estrutura, de construção naval, de bioenergia e de televisão digital. A estabilização das economias latino-americanas e caribenhas, segundo o ministro, dará sustentação à aproximação com outras regiões, ao lado do seu processo interno de integração.
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