SÃO PAULO - A primeira etapa dos negócios no mercado financeiro continuou sendo marcada por forte volatilidade, que ainda é alimentada pelas incertezas dos investidores em relação à crise de crédito hipotecário nos EUA e possíveis efeitos sobre as instituições financeiras e a economia real do país. A instabilidade permanece no momento, com o Ibovespa em baixa e o dólar em alta frente ao real.
Às 13h25, o Ibovespa marcava 50,377 pontos, com baixa de 1,32%, e volume financeiro de R$ 3,455 bilhões. A máxima registrada até agora foi de 51.285 pontos, e a mínima foi de 50.002 pontos. O dólar por sua vez chegou a marcar R$ 2,013 logo após a abertura, retrocedeu um pouco, chegou a cair pra R$ 1,9840, mas retomou a alta. A divisa avançava 0,70%, sendo cotada a R$ 1,9970 para compra e R$ 1,9990 para a venda.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu com forte baixa, dando prosseguimento ao movimento do último pregão, mas chegou a subir acompanhando a melhora em Wall Street - cujos agentes analisaram o conjunto de dados de inflação e atividade nos EUA, que vieram em linha com as expectativas. A recuperação na bolsa paulista, entretanto, não teve sustentação e a cautela dos investidores voltou a justificar as vendas de ativos de risco.
Para Flávio Serrano, economista-chefe da corretora Lopes de León a movimentação reforça a rotina de forrte oscilação dos últimos dias. Como destaque positivo, ele menciona o fato de o índice de Preços ao Consumidor americano (CPI, na sigla em ingês) ter apontado alta dentro do esperado, de 0,1% em julho e com aumento de 0,2% no núcleo. A produção industrial cresceu 0,3%, também em linha com as expectativas.
Também movimentou o mercado o fato de o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, não ter realizado no horário uma operação de adição de reservas às linhas de crédito overnight do sistema financeiro do país. Isso animou as bolsas americanas no começo do pregão, por parecer que o Fed tinha considerado desnecessária a injeção de recursos. No entanto, a autoridade monetária informou depois que a operação foi apenas postergada, devido a problemas técnicos. No fim, foram colocados US$ 7 bilhões no overnight.
O mercado tem muitas dúvidas sobre as condições de liquidez no sistema e o fato de o Fed injetar liquidez no sistema não assegura que esse dinheiro chegue onde precisa e nos prazo em que é necessário, diz Alexandre Ferreira, vice-presidente de tesouraria do banco WestLB.
Com isso, ainda está em curso a saída de recursos de investidores estrangeiros de ativos de risco no Brasil e em outros emergentes. Além do tradicional vôo para a qualidade de título do tesouro americano, muitos agentes ponderam que a venda de ativos está servindo para sanear perdas de fundos de investimento lá fora.
(Bianca Ribeiro | Valor Online)