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Vulcabras prepara compra da Azaléia e encosta na Alpargatas

10/07 - 11:48 - Valor Online

RECIFE - A Vulcabras, controlada por Pedro Grendene, anunciou a intenção de adquirir o controle da fabricante de calçados Azaléia. Essa transação, se concretizada, colocará a Vulcabras entre as maiores indústrias de calçados do país, com um receita líquida de R$ 1,2 bilhão.

Isso significa que ela poderá ficará praticamente do mesmo tamanho da São Paulo Alpargatas, que registrou em 2006 uma receita líquida de R$ 1,3 bilhão, e maior do que outra empresa da mesma família, a Grendene, que faturou R$ 1,1 bilhão no ano passado e é controlada por Alexandre, irmão de Pedro. A família Grendene, por sua vez, dominaria o mercado de calçados nacional, com faturamento conjunto (considerando-se Vulcabras, Azaléia e Grendene) de aproximadamente R$ 2,3 bilhões.

Em comunicado ao mercado, a Vulcabras informou que já comprou 15,06% do capital total da Azaléia por meio da aquisição de 22,67% dos papéis preferenciais em circulação. O valor do negócio não foi divulgado. A compra da Azaléia poderá representar um grande salto para a Vulcabras, uma empresa que registrou em 2006 uma receita líquida de R$ 444,6 mihões com a venda basicamente de um único produto, o tênis Reebok. Em termos de faturamento, a Azaléia é bem maior: foram R$ 791,6 milhões em 2006 (ver quadro nesta página). Mas, mais do que isso, com a aquisição, a Vulcabras diversificará seu portfólio de produtos. Hoje, a companhia depende basicamente de uma marca: a Reebok, fabricada e distribuída com exclusividade pela Vulcabras no Brasil, no Paraguai e na Argentina. Segundo relatório da empresa, em 2006, mais de 90% do seu faturamento no ano passado veio da venda de tênis e roupas da Reebok. O restante foi obtido com a comercialização de botas Vulcabras. Essa dependência de um único produto pode ser considerada arriscada, já que o contrato de licença de fabricação com a marca vence em 2012. Nessa data, a Adidas, dona da Reebok, pode vir a optar por conceder o nome a outra empresa. No passado, por exemplo, a Vulcabras produzia o calçado Adidas, mas perdeu esse contrato. Com a Azaléia, a indústria de Pedro Grendene passará a fabricar o tênis Olympikus, além dos calçados femininos Azaléia, Dijean e A/Z e dos infantis Funny. A transação com a Azaléia é o segundo anúncio de aquisição que a Vulcabras faz em uma semana. Na quarta-feira passada, divulgou a compra da argentina Indular, por US$ 25 milhões. Esses anúncios chamam a atenção em especial porque, até dois anos atrás, foram poucos os exercícios em que a Vulcabras encerrou no lucro. Foi a partir de 2004 que a companhia começou a encerrar o ano no azul. No ano passado, foram R$ 30,7 milhões. De acordo com relatório da empresa, os resultados vieram com o foco maior na produtividade, num mix mais acertado de produtos e no melhor uso do capital de giro. No comunicado divulgado ao mercado, a Vulcabras não explicou como efetuará a eventual compra do controle da Azaléia. Em março deste ano, a companhia tinha em caixa R$ 112 milhões. Do lado da Azaléia, uma das razões para a venda da Azaléia seria a indefinição sobre o futuro da profissionalização da empresa, que desde dezembro está sem presidente executivo. Na época, com a saída do ex-governador gaúcho Antônio Britto do cargo, a posição passou a ser ocupada interinamente pelo presidente do conselho de administração, Adelino Colombo. Este é controlador da rede varejista Lojas Colombo e assumiu o comando do conselho de administração da Azaléia em janeiro de 2004, após a morte do fundador da empresa calçadista, Nestor de Paula. Nesse momento, Britto, que até então era superintendente, assumiu a presidência executiva. A Azaléia é controlado por duas famílias, De Paula e Volkart. A venda da empresa já estaria acertada com pelo menos uma delas, segundo fontes próximas à empresa.

(Carolina Mandl, Sérgio Bueno e Beth Koike | Valor Econômico)


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