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Mercados: ´Vendido´ no futuro derruba dólar à vista

29/06 - 09:08 - Valor Online

SÃO PAULO - Os dois principais eventos de ontem - a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) e o Relatório de Inflação Trimestral do Banco Central (BC) - não atrapalharam os ardis especulativos desenvolvidos pelos investidores postados na posição de venda nos mercados de derivativos de câmbio da BM & F para derrubar o dólar à vista e aumentar seus lucros no futuro. Foi por isso que o dólar, em pesada queda ontem, mostrou comportamento incompatível com os demais segmentos do mercado financeiro, bem mais comedidos. Já na véspera da definição da taxa de câmbio oficial que será usada para a liquidação dos contratos futuros, os " vendidos ? despejaram dólares no spot para deprimir os preços. A ofensiva destinada a buscar a menor taxa possível prosseguirá hoje, último dia útil do mês e do semestre. Embora sem surpresas inquietantes, tanto a decisão do Fed quanto o Relatório do BC não justificariam o tombo sofrido ontem pelo dólar.

A moeda encerrou o dia cotada a R$ 1,9210, em desvalorização de 1,18%. Esta perda inverteu a valorização obtida no mês até o dia 27, de 0,99%. E foi forjada pelos vendidos . Esta posição é carregada nos mercados futuros de câmbio por investidores que a BM & F chama apropriadamente de não residentes , pois não se sabe ao certo quantos dólares de não brasileiros vem efetivamente de fora aplicar aqui. As posições vendidas de não residentes sofreram uma diminuição significativa do final de maio até ontem, atribuída às turbulências reinantes no mercado americano e às regras cambiais de exposição mais restritas baixadas pelo BC no dia 8. Mesmo assim, persistem muito elevadas e capazes de afetar o comportamento do câmbio à vista. No dia 30 de maio, véspera do dia final de formação da ptax - a taxa média oficial de câmbio - os investidores estrangeiros carregavam US$ 17,47 bilhões em posições vendidas líquidas nos pregões de dólar futuro e cupom cambial. O último informe mais atualizado, relativo à quarta-feira passada, indicava um montante vendido de US$ 11,88 bilhões. Como as medidas do BC cercearam muito as posições vendidas de filiais de bancos brasileiros instaladas no exterior, o volume específico sustentado em dólar futuro experimentou um tombo estrepitoso: de US$ 9,56 bilhões em maio para US$ 2,83 bilhões agora. Em compensação, as posições vendidas de capital externo em cupom cambial subiram de US$ 7,91 bilhões para US$ 9,05 bilhões. O comunicado expedido depois da reunião de ontem do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não sugeriu a necessidade de desarme imediato das posições alavancadas mundo afora pelos hedge funds. Ao contrário, foi entendido como levemente mais otimista que o da reunião anterior, em maio. O Fomc não reabilitou o viés de baixa informal no juro básico que vigorou nas duas primeiras reuniões do ano, mas afastou o temor crucial de um súbito movimento de alta. Os sinais são todos no sentido de que a taxa persistirá em 5,25% até o final do ano.

O Relatório de Inflação do BC, ao sinalizar o prosseguimento da política de queda da Selic, retira estímulo às operações vendidas em câmbio. No documento, a autoridade reduz suas projeções de IPCA tanto para 2007, de 3,8% para 3,5%, quanto para 2008, de 4,4% para 4,1%. Mas o BC rodou econometricamente as projeções do mercado para Selic e câmbio no final de 2008 e mandou a ele o recado de que pode estar excessivamente otimista em relação ao declínio do juro. Na hipótese de taxa básica de 10% e taxa de câmbio de R$ 2,04 no último trimestre do ano que vem, o IPCA alcançará 4,6%, acima do centro da meta de inflação, de 4,5%. O mercado de juros futuros da BM & F parece ter entendido o aviso. As projeções de CDI caíram muito pouco. O contrato para a virada de 2008 para 2009 recuou apenas 0,01 ponto, para 10,65%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)


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