28/06 - 08:37 - Valor Online
SÃO PAULO - O Banco Central (BC) desacelerou o ritmo de suas intervenções cambiais em junho. A média diária de compras de dólares por meio dos seus leilões caiu 34,4% este mês comparativamente a maio. No mês passado, o BC adquiriu diretamente do mercado cerca de US$ 15,22 bilhões, o que dá uma média por dia útil de US$ 692 milhões. Em junho, até ontem, ele já comprou US$ 8,18 bilhões, o equivalente a US$ 454 milhões por dia. Apesar do volume menor de compras, o dólar subiu 0,99% nesses primeiros 18 dias úteis de junho. Em maio, as intervenções recordes não impediram que a moeda americana acumulasse desvalorização de 5,5%.
A eficácia demonstrada pelas intervenções do BC decorre do menor ingresso de capitais especulativos e os destinados à arbitragem entre taxas de juros. A diminuição do apetite dos investidores foi conseqüência de dois fatores. O primeiro foram as novas regras de exposição cambial dos bancos baixadas pelo BC no dia 8. Elas limitaram o saldo líquido em dólar das operações a 30% do patrimônio de referência das instituições e obrigaram o aporte de capital próprio para a realização dos negócios. As medidas, oficialmente adotadas por caráter prudencial , tiveram o claro objetivo de esfriar a frenética especulação cuja base consiste na venda de dólar e compra de real para posterior aplicação em ativos que rendem a taxa Selic. Tais operações provocaram um salto de 85,3% - de US$ 20,2 bilhões em dezembro para US$ 37,43 bilhões em abril - na dívida externa brasileira de curto prazo, com vencimento em até um ano. Não necessariamente as novas normas implicam em queda na posição vendida à vista registrada pelos bancos no BC. Segundo dados divulgados ontem pela autoridade, em maio eles aumentaram a posição vendida em US$ 8,274 bilhões, quando tinham encerrado abril com caixa em dólar de US$ 7,5 bilhões. Na verdade, continua não havendo limitação para a constituição de posicionamento vendido em dólar. Só que, quando consideradas todas as operações de compra e venda de moeda americana, à vista e no futuro, o saldo não pode superar 30% do patrimônio. O segundo fator veio de fora. Discurso severo pronunciado pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, no início do mês retirou qualquer horizonte de queda para a taxa básica de juros americana. Para uma parte do mercado, o próximo movimento monetário do Fed, a ser feito no começo do ano que vem, seria de alta. Os mercados desencadearam operações destinadas a proteger suas carteiras e passaram a olhar criticamente os novos indicadores sobre a economia americana. E uma parcela do crédito entre instituições tornou-se seletivo e escasso. Hedge funds passaram a enfrentar problemas e foram obrigados a vender títulos de longo prazo do Tesouro americano e a desmanchar arbitragens com moedas de países emergentes. . As taxas dos T-10 dispararam, aumentando a inadimplência do crédito hipotecário. O cenário mais conturbado vem paulatinamente se desanuviando: os fundos mais especulativos e alavancados resistem e os indicadores surgidos esta semana não sustentam a visão de alta dos juros básicos americanos. Pelo contrário, se o Fed escorar-se unicamente nos dados sobre atividade recém-divulgados terá hoje, ao final de sua reunião de política monetária de encerramento do semestre, de colocar uma viés de baixa informal no juro de 5,25%. O indicador de ontem confirmou a ausência de brilho da economia dos EUA. Os pedidos de bens duráveis caíram 2,8% em maio. Os analistas esperavam de fato uma queda, mas bem menor, de 0,8%. Depois da divulgação desse dado, o juro do T-10 recuou de 5,08% para 5,04%. Fechou a 5,09% como parte da precaução natural que cerca as reuniões do Fed. Mas o mercado perdeu a inquietação cujo auge ocorreu no dia 12, quando a taxa do T-10 alcançou 5,295%. Os pregões domésticos refletem a distensão. O dólar fechou ontem em baixa de 0,56%, cotado a R$ 1,9440. O fluxo positivo deu trabalho ao BC. Teve de comprar US$ 771 milhões, bem mais que a média do mês, de US$ 454 milhões. Os juros caíram no mercado futuro de juros da BM & F. Os contratos mais longos, os que estão mais sintonizados com o cenário externo, foram os que mais retrocederam. O CDI previsto para janeiro de 2010 recuou 0,11 ponto, a 10,67%. Os contratos curtos recuaram com menor intensidade. Para a virada do ano, o contrato projetou CDI de 11,18%, em queda de apenas 0,02 ponto. As trapalhadas oficiais com o sistema de metas de inflação - o alvo formal, impresso em regulamento, persistirá em 4,5%, mas o BC pode informalmente perseguir taxa mais baixa, de 4% - foram ignoradas pelo DI futuro.
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