SÃO PAULO - Já há pelo menos três meses a Hewlett-Packard (HP) tem intensificado sua atuação no segmento de workstations no Brasil, onde vê um potencial enorme de crescimento. Segundo a empresa, há ainda pouca demanda por esses computadores, mais caros e com maior capacidade de processamento e memória, mas principalmente porque os usuários vêm utilizando equipamentos inadequados em suas atividades.
De acordo com o gerente da área de workstations para o Brasil, Vinícius Rossato, muitos profissionais, por uma questão de cultura, utilizam desktops com configurações topo de linha em atividades que seriam melhor desempenhadas pelos equipamentos que ele tem a missão de descarregar no mercado nacional. Segundo ele, isso realmente é possível. Há pessoas que utilizam um computador de mesa com placas de vídeo robustas, para uso de games, para rodar programas CAD (de desenho industrial) , diz ele. O computador funciona, é claro, mas o desempenho é muito inferior se o programa fosse utilizado em uma workstation , explica.
Segundo Rossato, processos que num desktop altamente equipado demorariam uma hora, num workstation, desenvolvido para rodar esses processos, poderiam levar tão somente 20 minutos ou menos. Esse tipo de máquina é fabricado já com todas as especificações para rodar esses softwares mais pesados, de imagem e vídeo, de produção e grandes planilhas financeiras , diz o executivo.
Ainda assim, seu desafio é quebrar a barreira dos 3 mil aparelhos do tipo vendidos por trimestre no país. No México, que tem uma economia similar à brasileira, o ritmo de vendas é muito maior, podendo chegar a 5 mil unidades por mês , revela. O potencial para nós, portanto, é imenso , diz.
Segundo Rossato, mesmo as empresas fabricantes de softwares que têm melhor desempenho em workstations alegam que o mercado brasileiro é pouco desenvolvido. Para elas, o Brasil é o mais importante destino de seus produtos em toda a América Latina, mais até que o México. O problema, afirma o executivo da HP, é que muitas empresas não têm o costume de gastar mais em um workstation mais eficiente no uso desses programas. Muitas delas ainda utilizam PCs montados , lamenta ele, mostrando que até no segmento mais caro de computadores, os produtos cinza , sem marca, incomodam as grandes do setor.
Ainda assim, Rosseto afirma que o mercado brasileiro, apesar de pequeno, está dividido em três partes iguais: uma fatia para cada uma das duas grandes (HP e a rival Dell) e a terceira para todos os outros .
Para cumprir sua tarefa, assumida há três meses quando aterrissou na HP, vindo da Dell, Rosseto tem lá seus trunfos. Um deles foi a redução dos preços de toda a linha de workstations da empresa, promovida em maio. O preço sugerido da versão mais barata, por exemplo, caiu de R$ 6 mil para R$ 3,9 mil, uma redução de 35%. Segundo o executivo, a redução foi semelhante em todos os outros produtos da companhia, que podem chegar a custar mais de R$ 10 mil, dependendo da configuração.
De acordo com o executivo, não há um público alvo definido para sua estratégia de expansão. Para ele, é importante, nesse momento, criar no mercado brasileiro a cultura de utilização dos workstations, promovendo eventos e testes para que os usuários percebam suas vantagens em relação a computadores de mesa turbinados , mas sem a arquitetura e tecnologia apropriadas para rodar seus programas mais pesados. Ainda assim, ele lembra que os segmentos que mais utilizam esse tipo de máquinas são, na ordem, indústrias, empresas de produção de vídeo e imagem e instituições financeiras. O ramo produtivo é, sem dúvida, o que mais utiliza workstations em seus projetos e processos de engenharia , diz. Como exemplo da utilização em produtoras, Rossato lembra da Dreamworks, criadora da série de filmes Shrek , que utilizou máquinas da própria HP na elaboração das três animações do ogro verde.
Rossato também não teme, ao menos por enquanto, a concorrência. Somos a única empresa no país que tem uma área dedicada apenas para esse segmento, o que demonstra que estamos mais comprometidos com ele , afirma, explicando que nas concorrentes - e como era na própria HP - os workstations são comercializados pela área de desktops, quando há o pedido do próprio cliente. Com nossa estrutura, podemos oferecer não apenas o suporte pós-venda, mas também nossa experiência para oferecer ao cliente exatamente o produto que precisa para atender suas necessidades , diz. Além disso, não queremos tirar o espaço de ninguém, já que há de sobra para todos. Nossa intenção, nesse momento, é desenvolver o mercado, que ainda é pequeno , explica Rossato Segundo dados da consultoria IDC, o mercado de workstations no país tem uma taxa de crescimento anual de 10%. A meta de Rossato é crescer essa divisão da HP a taxas superiores a essa. Temos tudo o que é necessário e certamente vamos superá-la, dada as grandes oportunidades que identificamos e o trabalho específico para esse segmento , diz ele. Do contrário, serei obrigado a fazer as malas e voltar para casa , diz o otimista gaúcho, sem sinais de que essa seja uma possibilidade real. (José Sergio Osse | Valor Online)