SÃO PAULO - O pregão de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) fechou a segunda-feira com alta na taxa da maioria dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). As operações refletiram movimentos técnicos, com muitos investidores reduzindo exposição e não assumindo posições novas. A volatilidade externa e o fechamento do semestre também influenciaram os negócios. A piora das bolsas em Nova York à tarde ampliou os aumentos.
No call de fechamento, o contrato de DI para julho foi a exceção e caiu 0,01 ponto percentual, para 11,87% anuais. O ativo para outubro indicou 11,54% anuais, com alta de 0,02 ponto. Janeiro de 2008 fechou a 11,26% anuais, com elevação de 0,05 ponto. Julho do próximo ano subiu 0,09 ponto, a 10,94% ao ano. A taxa para janeiro de 2009 sinalizou 10,82% anuais, com avanço de 0,17 ponto. Janeiro de 2010 aumentou 0,23 ponto, a 10,79% ao ano.
Até as 16 horas, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1,167 milhão de contratos, equivalentes a R$ 98,86 bilhões (US$ 51,13 bilhões). Na sexta-feira, foram fechados negócios com 1,235 milhão de ativos. O vencimento de janeiro de 2010 era o mais negociado, com 423,138 mil contratos registrados, equivalentes a R$ 32,77 bilhões (US$ 16,95 bilhões). No último pregão, foram negociados 410,220 mil contratos para esse vencimento.
De acordo com o gestor da Ático Asset Management, Renato Szklo, o pregão de juros tem apresentado uma performance inferior aos demais ativos locais - acionário e cambial - recentemente. Desde o início do movimento ascendente da remuneração (yields) dos títulos públicos dos Estados Unidos, as taxas dos DIs não fazem novas mínimas, observou, verificando uma diminuição de exposição na parte longa da curva, o que tem respingado nos DIs curtos.
Houve uma queda muito forte até a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), mas depois os dados de inflação vieram piores e a volatilidade externa aumentou, justificou. Nesta segunda-feira, a piora em Wall Street acentuou o rumo ascendente das taxas. Há pouco, o indicador acionário norte-americano Dow Jones cedia 0,29%.
E a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) também concentra as atenções, completou o economista-chefe da Up Trend Consultoria Econômica, Jason Vieira. A expectativa está relacionada a um eventual anúncio sobre a meta de inflação para 2009 no encontro do grupo amanhã. Se o CMN reduzir a meta de inflação (em relação aos 4,5% de 2007 e 2008), o BC pode adotar um viés mais conservador novamente, avaliou o profissional.
O sentimento de dúvidas permanece, resumiu o diretor de uma corretora em São Paulo, lembrando ainda que a semana é recheada de eventos importantes nos Estado Unidos, o que ajuda no viés mais conservador. Na pauta dos próximos dias, o foco deve ficar sobre a reunião da equipe de política monetária do banco central norte-americano, na quinta-feira, e sobre dados de inflação no gasto com consumo nos EUA, na sexta-feira. (Paula Laier | Valor Online)