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Fracasso de rodada de negociação se deve à defensiva de países ricos, diz Lula

22/06 - 16:22 - Laryssa Borges - Último Segundo/ Santafé Idéias

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em conversa por telefone, que o fracasso da reunião de Potsdam (Alemanha) sobre a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) se deve à iniciativa de Estados Unidos e União Européia "se colocarem de acordo para acomodar seus próprios interesses defensivos e garantir o avanço desproporcional de seus produtos".

Ontem, Brasil e Índia anunciaram a saída das reuniões em Potsdam e o presidente americano, George W. Bush, acusou as duas nações pelo fracasso das negociações.

Em conversa telefônica de cerca de 20 minutos, Tony Blair mostrou uma posição mais liberal em relação aos debates sobre uma maior abertura dos mercados de países desenvolvidos e se disse favorável ao pleito brasileiro. Informou que as próximas 48 horas serão decisivas para a afirmação da posição de cada país negociador, mas destacou que para evitar o completo "fracasso" de Doha seria preciso que o Brasil concordasse com a redução tarifária sugerida, cujo corte médio atingiria quase 60%.

"Ainda é possível chegar a um resultado, mas tem que ter uma readequação das alternativas [aventadas em Potsdam]", afirmou Lula no telefonema, segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. "São negociações sensíveis e, se existe alguma chave, esta chave está no diálogo político e na melhoria das propostas", destacou Baumbach.

Para Lula, como a fase das negociações técnicas já se esgotou, é preciso que líderes mundiais assumam a posição de destravar a rodada de desenvolvimento. Uma nova cúpula de chefes de governo para discutir o tema ainda não está descartada.

"A disposição do presidente para o diálogo é total, desde que as propostas sejam melhoradas. Os canais de diálogo permanecem abertos", ponderou o porta-voz, completando que o Brasil continuará mantendo conversas em Genebra.

Veja mais sobre: Doha

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