SÃO PAULO - A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) encerrou a jornada desta segunda-feira com queda na maioria dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Em uma sessão sem grandes novidades, o pregão refletiu alguns ajustes ainda à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic para 12% ao ano, na quarta-feira, tendo o cenário externo positivo e a queda do dólar frente ao real como pano de fundo para a desvalorização das taxas de juros futuras.
No call de fechamento, o contrato de DI para julho marcou 1,90% anuais, com alta de 0,01 ponto percentual. O ativo para outubro marcou 11,55% anuais, estável. Janeiro de 2008 projetou 11,21% anuais, com baixa de 0,01 ponto. Julho do próximo ano indicou 10,78% ao ano, com decréscimo de 0,02 ponto. A taxa para janeiro de 2009 sinalizou 10,50% anuais, com declínio de 0,05 ponto. Janeiro de 2010 registrou 10,32% ao ano, com recuo de 0,3 ponto.
Até as 16 horas, antes do ajuste final de posições, foram negociados 814,113 mil contratos, equivalentes a R$ 71,76 bilhões (US$ 36,54 bilhões). Na sexta-feira, foram fechados negócios com 3,160 milhões de ativos. O vencimento de janeiro de 2008 era o mais negociado, com 259,25 mil contratos registrados, equivalentes a R$ 24,41 bilhões (US$ 12,43 bilhões). No último pregão, foram negociados 1,283 milhão de contratos para esse vencimento.
Na avaliação do gestor da Ático Asset Management, Renato Szklo, o pregão refletiu ainda algumas definições pós-Copom, mas com os investidores cautelosos com o mercado externo e no aguardo da ata da reunião do colegiado no BC. Na noite de quarta-feira, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto, para 12% anuais. O placar, porém, não foi unânime, com dois dos sete integrantes do comitê votando pela queda de apenas 0,25 ponto.
Para Szklo, passada a ata, o mercado deve definir se o ritmo de cortes na Selic ficará em 0,5 pontos ou se voltará ao 0,25 ponto. O que poderia atrapalhar essa análise é algum fator externo, disse, observando um mercado ainda conservador com a alta recente nos treasuries. De acordo com gestor da Máxima Asset Management, Renato Motta, a curva de juros na BM & F tem no preço uma queda de 0,5 ponto na próxima reunião, com 50% de chance para uma outra queda nessa magnitude no encontro de setembro.
Não parece razoável acelerar (o corte) para, no mês seguinte, retomar o corte de 0,25 ponto, avaliou Motta. No mesmo sentido, Szklo também considerou mais razoável como um ritmo de política monetária realizar alguns cortes 0,50 ponto do que voltar para o ritmo de 0,25 ponto.
A mais recente pesquisa de mercado do BC apurou que os analistas projetam nova redução de 0,5 ponto na Selic no encontro a ser realizado nos dias 17 e 18 de julho. No quadro externo, as atenções seguiram sobre o comportamento da remuneração dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento nas taxas desses ativos pode indicar com que hipótese o mercado trabalha em relação ao juro norte-americano. Há pouco, o treasury de dez anos indicava 5,13% ao ano, com alta de 0,03 ponto. Tal avanço chegou a causar algum desconforto nas bolsas dos EUA nesta sessão, mas o bom humor prevaleceu. Há pouco, o Dow Jones subia 0,27%.
O mercado de câmbio doméstico também reverteu a valorização do dólar verificada na abertura, ajudando no clima favorável nos negócios domésticos. Há pouco, a moeda cedia 0,91%, vendida a R$ 1,9420.
(Paula Laier | Valor Online)