10/06 - 05:49 - AFP
A Bolívia aguarda uma resposta oficial da Petrobras sobre a proposta de compra de duas refinarias da companhia brasileira no território boliviano, informou nesta segunda-feira o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas.
"A Bolívia apresentou há dias uma proposta e, conseqüentemente, estamos à espera da resposta da Petrobras", assinalou Villegas, pouco depois de o presidente da companhia, Sérgio Gabrieli, anunciar em Brasília o envio de uma posição definitiva a respeito do assunto.
Villegas destacou que a Bolívia quer chegar "a curto prazo" a um acordo com a empresa brasileira "sobre a recuperação das refinarias (...) estamos à espera da proposta da Petrobras".
O ministro argumentou que "ainda não recebeu qualquer informação oficial" sobre o anúncio de que Gabrieli enviará ainda hoje sua resposta à Bolívia.
Villegas não especificou os termos da proposta boliviana, mas diversas fontes garantem que é muito inferior ao exigido pela Petrobras, algo em torno de 160 e 180 milhões de dólares.
A Petrobras comprou em 1999 as refinarias em questão (Villarooel, em Cochabamba, e Elder, em Santa Cruz) pelo total de 105 milhões de dólares.
Em meio aos rumores sobre uma ruptura nas negociações, Villegas afirmou que a Bolívia "vai chegar a um acordo com a Petrobras e que as relações com o Brasil se manterão no melhor nível".
Sérgio Gabrieli disse à imprensa que a decisão de vender as refinarias é resultado do decreto anunciado no domingo pelo presidente Evo Morales, que entrega à estatal YPFB a exclusividade sobre exportação e venda de certos combustíveis.
Villegas disse que o decreto visa a devolver ao Estado o controle sobre a rede produtiva dos hidrocarbonetos, ressaltando que, agora, a "Bolívia recebe 194.000 dólares por dia, 5.800.000 por mês e 70.000.000 de dólares anuais".
O ministro lembrou que durante muitos anos a Petrobras se beneficiou com a venda de produtos não regulamentados para o mercado interno boliviano.
O decreto de Morales significa recuperar um excedente econômico, mas "aqui não houve expropriação, não houve confisco, e as refinarias estão nas mãos da Petrobras enquanto negociamos", disse Villegas.
A Petrobras teve um ganho extraordinário com a venda de gasolina nos últimos anos de cerca de 70 milhões de dólares anuais, afirmou Villegas, lembrando que este produto "subiu à medida que aumentou o preço do petróleo".
As refinarias obtiveram "um lucro extraordinário, acima da margem de refino contemplada pela Superintendência (de Hidrocarbonetos)", assinalou Villegas.
A partir do decreto de domingo, "estes lucros extraordinários passam para o Estado através da YPFB", concluiu o ministro.
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