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Brasil apresenta ao G8 sua visão sobre globalização e desenvolvimento

08/06 - 10:07 - AFP

No dia final da reunião de cúpula, o G8 dialoga nesta sexta-feira com cinco países emergentes, incluindo o Brasil, dispostos a se fazer ouvir sobre o clima e a liberalização do comércio, além de pedir que as nações ricas assumam suas responsabilidades históricas.

Brasil, México, China, Índia e África do Sul chegaram a um consenso sobre o que apresentar no G8 durante uma reunião realizada em Berlim. A intenção é fazer com que a mensagem chege o mais longe possível.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega mexicano, Felipe Calderón, chegaram ao encontro com duas questões de vital importância para o desenvolvimento de Brasil e México: a luta contra o aquecimento global e as negociações da Rodada de Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberalização dos mercados.

O Brasil está entre os maiores produtores de etanol do mundo. Por isso, Lula pretende explicar às oito potências "o vínculo existente entre as questões da mudança climática, da energia e do combate à pobreza".

Lula chegou desanimado a esta reunião devido ao acordo muito vago e sem compromissos numéricos a respeito da definição de patamares mínimos para a "redução substancial" dos gases que provocam o efeito estufa.

"É preciso ter num horizonte ao menos alguns compromissos que nos permitam daqui a 10 ou 15 anos ter mecanismos de proteção contra a poluição do planeta", defendeu o brasileiro.

Quanto à Rodada de Doha, Lula pediu que se fizesse o possível para ressuscitar as negociações. Os países emergentes querem vincular a proteção climática com o desenvolvimento, já que não estão dispostos a sacrificar sua economia em nome do meio-ambiente.

Neste encontro, o G8 também acolheu a representação dos países africanos, aos quais prometeu ajuda financeira para combater as epidemias que assolam o continente negro.

"São 60 bilhões de dólares no total", declarou a ministra de Ajuda ao Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul.

Em um comunicado, o G8 reiterou o compromisso de aumentar consideravelmente sua ajuda à África até de 2010.

"Estamos mais do que satisfeitos", comemorava Lea Voigt, da associação "Block G8", durante uma entrevista coletiva em Rostock, a 12 km de Heiligendamm.

Os últimos manifestantes que ainda estavam em torno da barreira de segurança que protegia o balneário já levantavam acampamento.

Mais cedo, a polícia alemã obrigou um balão do Greenpeace que sobrevoava Rostock a voltar para o chão, declarou uma porta-voz da organização ecológica.

bur-erl/pg/fp



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