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Mercados: Dólar reduz alta para 0,25% e fecha a R$ 1,952

06/06 - 17:28 - Valor Online

SÃO PAULO - O mercado de câmbio brasileiro fechou com o dólar valorizado sobre o real pelo terceiro pregão consecutivo, acompanhando o movimento de global de apreciação da divisa norte-americana. A alta acumulada no período chega a 2,41%. De modo geral, o segmento de moedas foi afetado por preocupações sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos e Europa. No final do pregão, porém, a entrada de exportadores na venda desacelerou o avanço das cotações.

Desse modo, o dólar terminou na mínima do dia, a R$ 1,95 na compra e R$ 1,9520 na venda, com elevação de 0,25%. No maior preço, a moeda chegou a R$ 1,9740, o que representa um ganho de 1,39%. O giro interbancário somou aproximadamente US$ 2,83 bilhões, de acordo com informações do mercado. Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a divisa recuou 0,44%, a R$ 1,953, com volume de US$ 1,037 bilhão.

Dados e declarações desfavoráveis no que diz respeito à inflação nos Estados Unidos e Europa, além da alta de juro na zona do euro, motivaram um ajuste de posições, afetando as principais praças financeiras internacionais. E o mercado brasileiro não escapou.

O governo dos EUA divulgou que os custos unitários da mão-de-obra foram revistos de um incremento anualizado de 0,6% para 1,8% entre janeiro e março deste exercício - acima da elevação de 1,3% prevista por muitos analistas, gerando preocupação com potenciais pressões inflacionárias. O dado reforçou a atenção com o ritmo da inflação naquele país, expressada pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, ontem.

O dirigente do Fed de Richmond, Jaffrey Lacker, ajudou no viés mais pessimista ao afirmar que ainda não apareceu uma tendência de moderação significativa estatisticamente para a inflação.

Na Europa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, voltou a insistir hoje que a instituição manterá uma estreita vigilância sobre os preços na zona do euro. O BCE anunciou hoje a elevação do juro da região de 3,75% para 4% ao ano, buscando restringir as expectativas de inflação. A instituição ainda revisou sua estimativa para o índice de preços ao consumidor deste ano para o intervalo de 1,8% a 2,2%, em vez da faixa anterior entre 1,5% a 2,1%.

A idéia de juros mais alto no exterior tem amparado a alta nos títulos públicos norte-americanos, o que explica o movimento de alta do dólar sobre o real nos últimos pregões, com os estrangeiros reduzindo sua exposição em Brasil, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. Diante do quadro incerto no ambiente externo, os investidores estão repensando a questão do rumo dos juros no cenário internacional, reforçou.

Nesta sessão, o título de dez anos dos EUA registrou queda na remuneração ao investidor, referendando a percepção de menor apetite a risco - o que afeta a moeda brasileira. A busca por tais papéis eleva o preço de face desse títulos, derrubando o rendimento. No final do dia, o treasury de dez anos marcou 4,97% ao ano, com declínio de 0,02 ponto percentual.

No quadro doméstico, o Banco Central pagou R$ 1,9640 por dólar em leilão de compra no mercado à vista. Entre as taxas conhecidas, a autoridade monetária nacional aceitou duas propostas de dois bancos. Oito das 17 instituições que participaram da operação não divulgaram suas taxas. A estimativa é de que a instituição tenha comprado aproximadamente US$ 185 milhões.

A atuação do BC, porém, teve pouco impacto nas cotações, que desaceleraram a alta no final da jornada. Muitos investidores, principalmente exportadores, aproveitaram para entrar no mercado e vender dólares. O avanço dos últimos dias deixou o mercado atrativo, observou Rosa.

(Paula Laier | Valor Online)


 
 

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