SÃO PAULO - A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) encerrou a sexta-feira com queda nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). De modo geral, o pregão de juros futuros acompanhou a trajetória declinante do dólar em relação ao real. Na mínima, a moeda norte-americana chegou a rondar o R$ 1,9000. Também ajudou no clima favorável nos negócios locais a divulgação de indicadores benignos sobre a economia dos Estados Unidos.
No call de fechamento, o contrato de DI para julho caiu 0,03 ponto percentual, a 12,03% anuais. Janeiro de 2008 projetou 11,29% anuais, com declínio de 0,06 ponto. Julho do próximo ano indicou 10,83% ao ano, com recuo de 0,09 ponto. A taxa para janeiro de 2009 sinalizou 10,50% anuais, com baixa de 0,11 ponto. decréscimo de 0,10 ponto.
O mercado de juros acompanhou o dólar, resumiu o vice-presidente de renda fixa do banco WestLB no Brasil, Ures Folchini. O rumo de um alimenta a trajetória do outro, disse. Conforme explicou, apesar dos cortes, o país ainda sustenta o juro em um nível elevado, o que atrai investidores, que aportam dólares no país, elevando a oferta de divisas e pressionando a queda nas cotações; e o dólar em baixa ampara o cenário favorável para a inflação e queda dos juros.
Às 15h55, o dólar era negociado a vendido a R$ 1,9010, com queda de 1,24%. Na mínima, alcançada minutos antes, a cotação cravou o R$ 1,90 - menor preço desde 23 outubro de 2000, se considerar o valor apurado no encerramento dos negócios, que naquela data alcançou R$ 1,8960.
De acordo com agentes no mercado, a depreciação da moeda nesta jornada tem influência das entradas de dólares relacionadas à Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) feita pela controladora Arcelor Mittal para os minoritários da Arcelor Brasil - cujo prazo de adesão termina na segunda-feira. A estimativa é de que o desembolso da Arcelor Mittal para a recompra das ações fique em torno de US$ 5 bilhões.
Dados econômicos norte-americanos favorecendo o cenário de desaceleração da inflação e de melhora no crescimento do PIB para os próximos trimestres naquele país ajudavam a amparar o clima otimista no mercado local.
Conforme informou o Departamento de Trabalho dos EUA, a folha não-agrícola aumentou em 157 mil vagas em maio, acima dos 80 mil empregos gerados em abril (revisto) e da adição de 135 mil a 150 mil postos estimada por analistas. Ao mesmo tempo, o indicador que mede a atividade manufatureira passou de 54,7 em abril para 55 em maio, mostrou pesquisa do Institute for Supply Management (ISM). Agentes previam desaceleração para 54. O Departamento de Comércio norte-americano, por sua vez, informou que o núcleo do índice de preços para gastos com consumo pessoal (PCE) subiu apenas 0,1% em abril sobre o mês anterior, após estabilidade em março. No confronto com um ano atrás, o núcleo do índice, sem alimentos e energia, teve alta de 2% em abril. É a primeira vez em 14 meses que a taxa fica dentro da zona de conforto (extra-oficial) do Federal Reserve (Fed), entre 1% a 2% de elevação.
(Paula Laier | Valor Online)