As lojas regionais de eletroeletrônicos e móveis são as que oferecem ao consumidor o menor valor de prestação no crediário. Esse é o resultado de um levantamento feito pela empresa de pesquisa de preços no varejo Shopping Brasil.
Num ranking com 26 varejistas para avaliar quem tem a menor prestação de produtos comparáveis, os quatro primeiros lugares são ocupados por redes regionais. As gigantes nacionais só aparecem a partir da quinta posição na lista. A pesquisa foi apresentada ontem no 1º Seminário sobre o Varejo para a Baixa Renda, realizado pelo Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (CEV/FGV).
"As redes regionais ganharam mais poder de fogo porque se associaram a financeiras e bancos", afirma o sócio-diretor da Shopping Brasil, José Roberto Resende. No ranking por Estado, as lojas do Rio de Janeiro são as que têm o menor valor de prestação, seguidas pelas do Rio Grande do Sul.
O resultado do levantamento desmistifica, de certa forma, a propaganda das grandes redes, que se qualificam como as que oferecem a menor prestação e, por isso, atingem bom desempenho junto à população de baixa renda.
Segundo Resende, a fórmula para ter sucesso na baixa renda é não só "ter produtos mais baratos, mas parecer o mais barato". Entre as camadas populares, preço é o valor percebido, não necessariamente o que consta na etiqueta do produto.
Tanto é que, em recente pesquisa da FGV com consumidores de baixa renda - famílias com renda mensal de até R$ 3 mil -, a varejista apontada como a mais barateira era a que vendia por preços mais altos num grupo de três redes, lembra o coordenador do CEV/FGV, Juracy Parente.
Ele diz que vender para a baixa renda requer um conjunto de atrativos aos quais, na maioria das vezes, o varejo tradicional não está acostumado. Isso significa, por exemplo, ter lojas onde essa população circula, que são pólos de comércio de rua, e oferecer produtos quando o consumidor de renda incerta tem dinheiro no bolso.