30/05 - 13:32 - Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que Roberto Zoellick, indicado pelo governo dos Estados Unidos para a presidência do Banco Mundial, tem mais condições que o atual presidente, o demissionário Paul Wolfowitz, para exercer o cargo. "Zoellick tem uma experiência internacional bastante boa, teve um bom desempenho à frente da USTR (Secretaria de Comércio Exterior dos Estados Unidos) e tem tido uma atitude de liberalização do comércio mundial", disse Mantega, ao chegar ao Ministério da Fazenda.
O presidente dos EUA, George W. Bush, indicou formalmente Zoellick para o posto de presidente do Banco Mundial hoje. "Ele é um internacionalista empenhado. Ele conquistou a confiança e o apoio de líderes de todas as regiões do mundo", elogiou Bush. No primeiro mandato de Bush (2000 a 2003), Zoellick foi o principal representante dos EUA nas negociações comerciais internacionais, inclusive na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Seleção
Mantega voltou a defender uma revisão do processo de escolha dos presidentes das instituições multilaterais. Para Mantega, o processo de seleção está um pouco defasado. "Talvez valesse para o passado, quando havia uma determinada correlação de forças. Hoje em dia, é preciso fazer uma atualização, mas, infelizmente, não foi possível estabelecer um novo procedimento para essa escolha."
Na avaliação de Mantega, o processo de escolha do presidente do Banco Mundial não deve mais ser uma atribuição exclusiva do governo dos Estados Unidos, assim como a escolha para o Fundo Monetário Internacional não deve ser uma atribuição dos países europeus. "Nós temos que superar esse esquema, mas não deu tempo de fazer essa discussão amadurecer. É preciso, porém, que esse processo de escolha possa espelhar a nova realidade do mundo", afirmou o ministro.
Ele lembrou que, na época em que esses organismos multilaterais foram criados, após a Segunda Guerra Mundial, o processo de escolha fazia sentido, mas, agora, segundo Mantega, vários países tiveram seu poder econômico aumentado.
Relacionamento difícil
Questionado sobre eventual prejuízo às relações do Brasil com o Banco Mundial por causa do difícil relacionamento que Zoellick teve com o Brasil quando era secretário de Comércio Exterior dos EUA, Mantega respondeu que o saldo desse relacionamento foi positivo, porque, embora tenha sido atribulado num primeiro momento, passou a ser um "comportamento produtivo" para o Brasil.
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