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Japão começa a acreditar na recuperação de sua economia

29/05 - 08:49 - EFE

Juan Palop Tóquio, 29 mai (EFE).- O Japão começa a acreditar em sua recuperação econômica após a publicação, hoje, dos menores índices de desemprego em nove anos e do aumento do consumo doméstico, elemento essencial para seu Produto Interno Bruto (PIB).

A taxa de desemprego caiu a 3,8% em abril, dois décimos a menos que no mês anterior - na faixa considerada desemprego técnico -, e o número total de desempregados ficou em 2,68 milhões de pessoas, 160 mil a menos que em abril de 2006.

O mercado de trabalho da segunda maior economia do mundo dá sinais de um crescente dinamismo, como demonstra a relação entre ofertas de trabalho e desemprego, que aumentou para 1,05, o que significa que em abril houve 105 ofertas de trabalho para cada 100 desempregados.

O gasto mensal médio das famílias japonesas cresceu em abril pelo quarto mês consecutivo, ao subir 1,1% em relação ao mesmo mês de 2006, chegando a ¥ 316.163 (US$ 2.600), paralelamente ao crescimento da renda média dos assalariados, situada em ¥ 472.446 (US$ 3.900).

Os dois últimos indicadores têm especial relevância no Japão, já que o crescimento econômico do país depende em grande medida do consumo doméstico, que representa pouco mais de 50% do PIB.

Neste sentido, os analistas afirmam que é provável que o progresso do mercado de trabalho estimule de forma mais determinante o consumo doméstico e, em conseqüência, encoraje o conjunto da economia japonesa para afastar definitivamente o Japão da ameaça da recessão.

Em março, os dados macroeconômicos do país deixaram um gosto amargo, porque mesclavam resultados animadores em âmbitos como o desemprego e a produção industrial com outros que reavivavam o fantasma da deflação, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que foi de 0,3% negativo.

Mas, em abril, apesar de ter registrado deflação de 0,1%, o dado quase não levantou incertezas, principalmente porque é nitidamente inferior ao do mês anterior e está acima das expectativas do mercado.

Além disso, nos últimos dias foram publicados outros dados que confirmam a consolidação da economia japonesa, como a diferença entre oferta e procura - esta ainda domina, pelo segundo trimestre consecutivo - e o índice de confiança do consumidor - em alta, após um mês de março negativo.

A única nota discordante foi o dado de vendas do comércio a varejo, publicado hoje, que caiu 0,6% em abril em relação ao ano passado, representando a sétima contração mensal consecutiva, influenciada pela queda de 6,9% das vendas de automóveis.

Um sinal da confiança do setor privado na recuperação econômica japonesa é o comportamento dos investidores hoje no pregão da capital do país, que fechou em alta.

O principal índice, o Nikkei, fechou o pregão em alta de 0,48%.

Já o Topix, indicador mais representativo do comportamento da bolsa da capital japonesa por somar todas as empresas da primeira seção, subiu 0,78%.

Na semana passada, o presidente do Banco do Japão (BoJ, sigla em inglês), autoridade monetária do país, Toshihiko Fukui, insinuou que as taxas de juros poderiam voltar a subir este ano, pois "é provável que o crescimento econômico se estenda a longo prazo".

Seria a segunda alta do ano, após a realizada em fevereiro, que fixou a taxa em 0,5%. Em julho de 2006, o BoJ decidiu subir as taxas de juros a 0,25%, o que representou o primeiro aumento em seis anos.

A instituição monetária japonesa prevê que a economia crescerá acima dos 2% em 2007 e 2008.


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