25/05 - 13:21 - Valor Online
LAS VEGAS - Se as aquisições de supermercados no Brasil causaram prejuízos e arrependimentos ao Sonae, a investida no mercado de shoppings centers só tem trazido alegrias ao maior conglomerado português nos dois últimos anos. Em 2006, a margem operacional dos empreendimentos brasileiros cresceu 46% e as taxas de ocupação aumentaram de 84,4% para 94,3%. A multinacional, uma das maiores operadoras de shoppings da Europa, está colhendo os frutos de ter sido a primeira a desembarcar no Brasil, onde está presente desde 1999.
Agora, o Brasil está na moda. Valeu a pena o investimento , afirmou ao Valor o presidente executivo da Sonae Sierra, Álvaro C. Portela, durante a convenção do International Council of Shopping Centers (ICSC), a maior feira de negócios do setor no mundo, realizada nesta semana em Las Vegas. No ano passado, a operação brasileira da Sonae associou-se à gigante Developers Diversified (DDR), a terceira maior operadora de shopping centers americana e uma das maiores do mundo. A indústria de shopping centers nos Estados Unidos já está perto da saturação, o que tem levado as empresas do setor a sair em busca de oportunidades em outros países. Antes desprezado, o Brasil passou a piscar no radar dessas grandes operadoras na mesma medida em que caíam as taxas de risco. Em 2006, os investidores descobriram que os ativos brasileiros estavam uma pechincha. E, ao contrário da Rússia ou da China, onde a indústria de shoppings é ainda muito nova, esse é um setor que já existe no Brasil há mais de 30 anos, com operações sólidas e conhecidas. A Sonae Sierra transformou-se em uma interessante porta de entrada para as grandes operadoras americanas no Brasil. O grupo fechou negócio com a DDR, um gigante que possui cerca de 800 shoppings só nos EUA e que, até agora, nunca havia pisado fora do país. Com o novo parceiro, a Sonae dobrou sua aposta no mercado brasileiro, onde já colocara R$ 600 milhões. Vamos investir mais R$ 600 milhões no triênio 2007-2009 , diz Portela, que quer um lugar ao sol entre as líderes no país. Para isto, a Sonae Sierra e a DDR terão de correr. As demais empresas brasileiras - Multiplan, Iguatemi, Ancar, Br Malls e Aliansce - abriram o capital ou também associaram-se a estrangeiros. Há dinheiro de sobra no mercado financeiro para quem quiser bancar aquisições e a construção de novos empreendimentos no país. Pretendemos abrir pelo menos um shopping center por ano no Brasil , diz Portela, que também planeja aquisições. Em janeiro, o grupo comprou uma participação adicional de 73% no shopping Metrópole e vai construir em centro em Manaus. A Sonae Sierra possui atualmente em seu portfólio nove shoppings, incluindo os empreendimentos em que é proprietária, acionista ou só responsável pela administração. Apesar dos bons resultados obtidos no Brasil, Portela descarta ampliar os investimentos em outros países emergentes, onde os riscos são muito elevados. Não está nos planos do grupo português ir para a China ou para a Rússia, outros dois hits do momento na indústria de shopping. Estamos concentrando nossos investimentos na Europa , explica o executivo. Na Rússia, a DDR, fechou há poucos dias uma joint venture com um outro parceiro europeu, o grupo alemão E.C.E. Portela garante que a traumática experiência do Sonae no setor de supermercados, operação vendida para o Wal-Mart em 2004, não contaminou os demais investimento do grupo no Brasil. As decisões da Sonae Sierra não dependem só do Sonae , diz. Em 2005, a empresa vendeu 17% do capital para a Grosvenor. (Claudia Facchini* | Valor Econômico) *A repórter viajou a convite da Abrasce e da GS & MD
Publicidade
