25/05 - 14:41 - AFP
A Bolsa americana eletrônica Nasdaq vai colocar um pé na Europa com a compra do operador do mercado nórdico OMX, por US$ 3,7 bilhões, uma operação amistosa que reforça a consolidação do mercado de valores do mundo.
O grupo, batizado Nasdaq OMX Group, será dirigido por Robert Greifeld, atual presidente do Nasdaq, e terá uma capitalização de 7,1 bilhões de dólares.
O Nasdaq (North American Securities Dealers Automated Quotation System) lançou uma oferta mista equivalente a 208,10 coroas suecas por ação, que valoriza a OMX em US$ 3,7 bilhões (25,1 bilhões de coroas suecas, 2,7 bilhões de euros), ou seja, um prêmio de 19% sobre o valor de 23 de maio, segundo um comunicado da empresa.
Com a operação, que deve ser finalizada no último trimestre, o Nasdaq vai se afirmar fora das fronteiras dos Estados Unidos, após o fracasso, em fevereiro, de sua tentativa de comprar o London Stock Exchange.
O Nasdaq-OMX se tornará, assim, o segundo maior mercado de valores em termos de capitalização acumulada das empresas cotadas, atrás do Nyse Euronext, que reúne a Bolsa paneuropéia e a Bolsa de Nova York, e à frente da Bolsa de Tóquio.
O grupo americano põe a mão num mercado bem organizado que já consolidou o setor na região. Ele se beneficiará de uma carteira de produtos de qualidade, desenvolvendo-se no mercado de derivativos, seu ponto fraco, e poderá propor a cotação das ações no exterior.
Valores como Nokia, Ericsson ou H&M, Scania e Electrolux, são cotados em Estocolmo e Helsinque.
"Esta fusão parece absolutamente lógica e mais fácil de se realizar que a do Nyse e do Euronext, já que as duas Bolsas têm modelos semelhantes (carnês de encomendas eletrônicas e não uma plataforma como o Nyse)", comentou Octavio Marenzi, presidente do gabinete de gestão Celent.
"Não foi certamente a primeira escolha do Nasdaq, talvez por falta de opção, mas há cada vez mais pressões financeiras para este tipo de fusão", afirmou.
As praças financeiras se lançaram há alguns anos numa gigantesca corrida à concentração para reduzir seus custos de transações e atrair cada vez mais capitais e empresas.
"É uma diversificação geográfica e em termos de categorias de ativos, que nos coloca no centro do verdadeiro jogo dos mercados de ações: a tecnologia", frisou Bob Greifeld, que se tornará presidente do conjunto.
Ele destacou que a integração será "completamente concluída até 2010", e evocou outras consolidações. "Teremos oportunidade de estudar inúmeras outras transações e evidentemente o faremos", acrescentou.
Magnus Böcker, presidente da OMX, acrescentou que a nova entidade iria, de Londres, "intensificar seus esforços para se desenvolver na Europa central, para realizar cotações e criar Bolsas mais eficazes na região", destacando que no mercado financeiro da Europa as fronteiras vão desaparecer.
O Nasdaq e o OMX esperam obter US$ 150 milhões em sinergias anuais, fora os impostos.
Os mercados consideraram a operação muito positiva para o OMX, cuja ação fechou em alta de 14,33% a 199,5 coroas na Bolsa de Estocolmo, porém menos para o Nasdaq, cuja ação recuava 5,10% às 15H10 GMT a 32,23 dólares.
A OMX possui as Bolsas de Copenhague, Estocolmo, Helsinque, Reykjavik, Riga, Tallinn e Vilnius. Na região, somente a Bolsa de Oslo ficou fora.
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Nasdaq compra grupo de bolsas nórdicas OMX por US$3,7 bilhões
