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Mais imóveis para a classe média

24/05 - 12:09 - Agência Estado

A classe média será a maior beneficiada pela onda de investimentos e injeção de recursos para financiamento da casa própria. A expectativa do mercado é a de que os apartamentos para pessoas com renda familiar entre 5 e 15 salários mínimos superem 40% do total de unidades este ano, ante 30% em 2006.

"No ano passado, houve recorde de lançamentos de quatro dormitórios. Em 2007, o maior foco é para a classe média, principalmente entre 5 e 15 salários mínimos", afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

Neste ano, o mercado está migrando para a classe média, com mais empreendimentos de dois a três dormitórios, destinados, principalmente, a famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, segundo Pompéia. "Mas, para essa fatia, a taxa de juros ainda é muito alta. Chegar a 7% ao ano é o ideal para essa faixa e só assim conseguiríamos de fato reduzir o déficit habitacional, hoje na faixa dos 8 milhões de residências no Brasil", diz.

Entre janeiro de 2006 e janeiro de 2007, o tamanho médio dos apartamentos passou de 54 metros quadrados para 66 m². O preço médio do m², que era de R$ 2,3 mil no ano passado, caiu para R$ 1,7 mil.

Com isso e os avanços nos financiamentos, segundo ele, o mercado imobiliário paulista deve crescer entre 15% e 20%, com novas 32.600 unidades e R$ 10 bilhões em volume de negócios ante 28.324 unidades e R$ 8,6 bilhões em 2006. No ano passado, o crescimento foi de 16,8%, o maior desde a década de 1980.

A estimativa ambiciosa é motivada também pelos bons resultados do primeiro trimestre deste ano, quando foram vendidas 5.675 unidades, crescimento 8,8% superior ao do mesmo período no ano passado. Em faturamento, o salto foi de 10,6%, passando para R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2007.

Outro fator que alimenta o otimismo do mercado em 2007 é a redução, ainda que modesta, da taxa básica de juros (Selic), que baixou o custo de captação de recursos por construtores e ajudou a ampliar a oferta de imóveis, especialmente na faixa de R$ 70 mil a R$ 200 mil, para as camadas médias de menor renda. A maior concentração de ofertas, atualmente, é de imóveis entre R$ 80 mil a R$ 150 mil, para essa faixa de cinco a dez salários mínimos, que podem utilizar recursos do FGTS, poupança, carta de crédito ou próprios. Em 2006, a caderneta de poupança financiou 115 mil unidades nessa faixa (60% dos imóveis novos).

"O mercado para essa classe média e baixa está realmente muito aquecido", diz Cristiano Goldstein, presidente da Paez de Lima e da Garden, especializadas nos públicos de classe baixa e média. "Estamos apostando muito nessa faixa entre R$ 70 mil e R$ 200 mil." Das 800 unidades com lançamento previsto para este ano, 80% estão na faixa de preço de R$ 100 mil a R$ 120 mil, com dois e três dormitórios, segundo Goldstein.

Incorporadoras como a Klabin Segall e a Rossi também apostam nesse segmento para 2007. O investimento total da Klabin Segall no segmento de baixa renda em 2007 deve ser em torno de R$ 250 milhões, em unidades com entre 45 e 55 metros quadrados, de um e dois dormitórios. Os preços devem ficar em torno de R$ 50 mil a R$ 100 mil.

Déficit De todo o déficit habitacional estimado no País, em 8 milhões de unidades, 92% estão concentrados na demanda da população pobre, com renda de até cinco salários mínimos. "Para essa população, ainda são poucos os recursos e possibilidades de financiamento", diz o presidente do Sinduscon, João Claudio Robusti. "Programas como o PAR (Programa de Arrendamento Residencial) melhoraram a oferta, mas ainda são insuficientes para atender à demanda. O governo não parece compromissado com essa faixa." O orçamento do PAR em 2007 é de R$ 1 bilhão, o que deve financiar a construção de 25 mil unidades em 2007. Nos últimos cinco anos, foram financiadas 240 mil unidades, enquanto o déficit para essa faixa de renda é de 7,4 milhões de residências.


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