23/05 - 12:29 - Valor Online
RIO - A Oi será a primeira operadora a se render à demanda dos consumidores e vender um telefone celular desbloqueado, aquele que pode ser usado com o chip de diferentes empresas prestadoras do serviço. A nova estratégia, que será anunciada hoje, permitirá também que o atual cliente da Oi leve seu terminal usado às lojas da companhia e peça a liberação, sem custo e independentemente do tempo de uso do aparelho.
A preferência do consumidor pelos telefones desbloqueados começou em 2005 e parecia uma ação clandestina. A liberação era realizada apenas em lojas especializadas até que, no ano passado, boa parte dos grandes varejistas resolveu aderir ao modelo, como Casa e Vídeo, Pernambucanas, Lojas Americanas e Ponto Frio, entre outras. Claro e TIM, as duas maiores concorrentes da Oi na tecnologia GSM vão, ao menos por enquanto, manter a venda de celulares bloqueados. Os aparelhos da Vivo usam uma freqüência diferente. Por causa disso, só poderão usar os chips das outras operadoras os terminais com compatíveis com as duas faixas de freqüência. A TIM, entretanto, está abrindo espaço para o cliente fazer sua escolha. O consumidor compra nas lojas da operadora o terminal para uso exclusivo com chip da companhia, mas pode desbloqueá-lo a qualquer momento, pagando R$ 90, se for até 12 meses após a compra. Depois desse período, o serviço é feito sem custo. Basta ir a uma loja própria, com nota fiscal. O presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de Araujo, informou ao Valor que a companhia continuará com sua estratégia do binômio aparelhos e planos, que está trazendo bons resultados, de crescimento com valor. Ele citou como exemplo o fato de, nesse trimestre, a empresa ter alcançado mais uma liderança no mercado: a de número de clientes de planos pós-pagos. Araujo disse, porém, que está sempre analisando os movimentos das concorrentes. A Claro, por sua vez, informou que vai manter a estratégia de oferecer aos clientes planos atraentes com o terminal bloqueado. A reação é prevista, já que a companhia foi o maior destaque no mês de abril, contribuindo com 45,6% das adições líquidas de acessos celulares no país. Segundo análise da corretora Brascan , esse desempenho é resultado principalmente da postura agressiva da operadora, com seu forte subsídio a aparelhos no segmento pós-pago. A TIM apresentou leve redução na participação de mercado, revertendo a tendência dos últimos meses. A Oi manteve sua fatia. Para o diretor da unidade de negócios de varejo da Oi, João Silveira, a estratégia de vender os terminais desbloqueados não tem relação com os resultados compilados pela Anatel em abril, mostrando que no mês houve adição total de 722 mil celulares no país, com crescimento de 0,71%. A planta totalizou 102,8 milhões de clientes. Crescemos no mês passado como o mercado. Saímos na frente. Fomos os primeiros a vender apenas o chip, sem a necessidade do cliente comprar o terminal. Depois, saímos novamente na frente ao eliminar o subsídio no terminal pré-pago. Nossa aposta é no nosso serviço , afirmou o executivo. O cliente fica conosco pela abrangência do serviço e pela postura. Para a operadora que bloqueia o terminal é confortável, pois ela não tem que provar muito pelo serviço. Respondemos ao anseio do cliente, que quer liberdade de escolha. As pessoas não querem mais ser tuteladas. Querem ser protagonistas e não espectadores. Tenho certeza de que outras operadoras vão acabar nos seguindo. (Heloisa Magalhães | Valor Econômico)
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