18/05 - 16:05 - Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a se reunir hoje com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para discutir formas de reduzir o spread bancário no Brasil (diferença entre a taxa de juros cobrada pelo banco no empréstimo à pessoa física e o custo de captação desses recursos). Segundo Mantega, a questão dos depósitos compulsórios dos bancos ao Banco Central e a questão da cunha fiscal, que incide sobre o crédito no Brasil, não foram discutidas, e o governo não cogita alterar esses dois pontos.
"O governo não pretende reduzir os compulsórios e a cunha fiscal também não foi mencionada (na reunião). Neste momento, escolhemos fazer uma desoneração tributária na folha de pagamentos", afirmou, destacando que enquanto a inadimplência responde por 30% dos spreads, os compulsórios representam apenas 7% e a cunha fiscal tem um peso de 17%.
Após a discussão, que contou com as presenças do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do presidente da Febraban, Fábio Barbosa, chegou-se à conclusão que o caminho para reduzir os custos dos financiamentos do País é o da melhoria nas informações do sistema financeiro e do aumento da competição entre os bancos, informou Mantega. Embora tenham chegado a um acordo sobre estes dois pontos, ainda não foi desenhada qualquer ação administrativa nova para atacar a questão dos spreads.
Mantega destacou que a partir de agora o governo tentará acelerar a aprovação do Cadastro Positivo no Congresso Nacional, e que a Fazenda liberará recursos para que o BC agilize o aperfeiçoamento da sua central de risco para que o sistema possa disponibilizar também informações de tomadores de recursos a partir de R$ 3 mil - hoje a central só tem informações para créditos acima de R$ 5 mil.
"Hoje todo cliente é considerado de alto risco e o Cadastro Positivo e a central de risco do BC vão justamente melhorar a informação sobre cada pessoa", disse Mantega.
Para o ministro, também é necessário que os bancos informem melhor os correntistas sobre as taxas de juros cobradas nas suas linhas de crédito. "Melhorar as informações do sistema bancário, significa aumentar a competição, e é isso que queremos", disse, ressaltando também que a conta-salário criada no ano passado também deve influenciar a competitividade do sistema.
Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, será preciso estudar como os bancos disponibilizarão melhor as informações sobre as taxas, mas é possível que isso seja feito por meio dos sites do próprio BC, da Febraban ou até mesmo em tabelas afixadas nas agências bancárias.
De acordo com Meirelles, a reunião de hoje foi um "acompanhamento de um processo que já está ocorrendo e que pode ser acelerado a partir de agora, na medida que os fundamentos da economia estão melhorando".
Para o presidente do BC, é fundamental o aumento da competição entre os bancos, e isso só ocorrerá com a maior oferta de crédito e com a melhoria das informações do sistema financeiro. "Hoje há uma assimetria de informações do sistema e é fundamental que exista simetria para reduzir os custos", disse.
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