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Varejo tem o melhor trimestre desde 2002

16/05 - 12:02 - Agência Estado

O comércio varejista voltou a apresentar ótimo desempenho em março, confirmando o aquecimento da demanda interna. O setor conseguiu aumentar as vendas em 1,1% em relação a fevereiro e 11,5% na comparação com março do ano passado.

No primeiro trimestre, as vendas do setor acumularam alta de 9,7%, o melhor resultado para o período apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002.

Para Reinaldo Pereira, técnico da Coordenação de Indústria do instituto, os bons resultados respondem "às condições favoráveis da economia, já que a renda continua em elevação, há estabilidade no emprego e a queda dos juros favorece o crédito".

O câmbio também beneficiou, segundo ele, as vendas de artigos de informática e vestuário, já que as importações têm reduzido os preços de alguns desses produtos no comércio.

Pereira avalia que a tendência de crescimento das vendas do varejo prosseguirá nos próximos meses e, "mantidas as atuais condições", o setor deverá registrar neste ano um crescimento superior ao apresentado no ano passado, de 6,2%.

O segmento de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de maior peso na pesquisa, respondeu por 4,8 pontos porcentuais, ou 40% do crescimento de 11,5% nas vendas do varejo em março deste ano ante igual período do ano passado.

Com expansão de 1,2% nas vendas ante fevereiro e 9,3% ante março de 2006, esse segmento permanece beneficiado pelo crescimento da massa salarial real e também teve influência de "parte das vendas da Páscoa", segundo observou Pereira.

Ele explicou que este ano a Páscoa foi comemorada no início de abril, diferentemente de 2006, quando as festividades ocorreram na metade do mês. Desse modo, teria ocorrido uma antecipação das compras de produtos para a Páscoa no mês de março.

Todas as atividades pesquisadas pelo IBGE mostraram crescimento nas vendas. Alexandre Andrade, analista da Tendências Consultoria, avalia que os dados divulgados ontem "mostraram sinais inequívocos quanto ao aquecimento da demanda interna".

Ele ressalta que a demanda doméstica elevada "não pressiona os indicadores de inflação", já que há "forte aumento das importações e dos investimentos, que em breve se transformarão em capacidade produtiva".

Para Maurício de Moura, economista-chefe da Gouvêa de Souza & MD e especialista no assunto, o crescimento do comércio varejista tem superado as expectativas e responde ao incremento da renda, ao alongamento dos prazos de financiamento e ao câmbio (real valorizado).

Câmbio O dólar baixo continuou a impulsionar as vendas do segmento varejista de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação, que, em março, registrou expansão de 24,9% ante igual mês do ano passado, acumulando um aumento de 20,2% no primeiro trimestre.

Pereira explicou que o câmbio, com a redução dos preços dos componentes importados, vem beneficiando esse segmento, assim como os incentivos oficiais, como parte da política de inclusão digital.

No caso da atividade de tecidos e vestuário, ele avalia que a redução dos preços, decorrente do aumento das importações, pode ter sido um dos principais fatores para aumentar as vendas desse segmento em 2,7% ante fevereiro e 9,9% ante março de 2006.


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