Manila, 15 mai (EFE).- Milhares de filipinos desafiam a proibição de seu Governo para trabalhar no Iraque, onde são empregados cada vez em maior número por empresas americanas e de países do Golfo Pérsico, informa hoje a imprensa de Manila.
A maioria dos trabalhadores consegue o emprego pela Internet.
Eles são recrutados por companhias dos Estados Unidos, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, segundo o jornal "The Philippine Daily Inquirer".
Emmanuel Geslani, consultor para vários centros de recursos humanos em Manila, disse que cerca de 35 mil filipinos trabalham hoje no Iraque, atraídos pelos altos salários oferecidos.
Entre as companhias americanas estão a Kellogg Brown & Root, filial da gigante da logística Halliburton, acusada de ter obtido grandes lucros com a reconstrução do Iraque. Outros exemplos são a Bechtel, Fluor, General Dynamics, Titan CIS e Parsons Project. Elas oferecem salários de até US$ 6 mil mensais.
Um simples motorista de caminhão pode ganhar US$ 3 mil por mês, menos do que um americano receberia, mas mais de 10 vezes o que o trabalhador ganharia nas Filipinas, acrescentou Geslani.
Por seu domínio do inglês, outros destinos dos trabalhadores filipinos são o Departamento de Estado americano e a Agência para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Mais de 10 mil trabalham em Camp Victory e Camp Anaconda, duas bases militares dos Estados Unidos no Iraque. Eles vivem em barracões idênticos aos dos soldados americanos e comem junto com eles.
Geslani afirmou que milhares de filipinos são também contratados por empresas de logística de países do Golfo, que transportam mercadorias para o Iraque.
O Governo filipino mandou retirar 30 mil cidadãos do Líbano, em agosto de 2006, devido ao conflito entre Hisbolá e Israel. Mas 10% deles não retornaram para as Filipinas. Em vez disso, foram para cidades como Doha e Dubai, buscando emprego no Iraque.
O fenômeno desobedece o veto expresso do Executivo filipino de enviar mais mão-de-obra ao Iraque, em vigor desde julho de 2004. A decisão foi tomada quando um caminhoneiro filipino foi seqüestrado.
A sua libertação obrigou as Filipinas a retirar suas tropas postadas no país.
Um ano depois, em novembro de 2005, apareceram mortos em Bagdá dois trabalhadores filipinos de uma companhia sul-coreana.
As Filipinas têm uma população de 90 milhões de habitantes. Além disso, 10 milhões de filipinos vivem no exterior, e suas remessas de dinheiro para as famílias constituem um dos motores da economia e a maior forma de entrada de divisas no país. EFE csm mf