10/05 - 16:25 - Reuters
Por Cesar Bianconi SÃO PAULO (Reuters) - A AmBev espera recuperar ou pelo menos manter estável sua participação no mercado brasileiro de cerveja, após ter perdido espaço para rivais no primeiro trimestre.
A companhia ficou com 67,6 por cento de market share de cerveja no país de janeiro a março, ante 68,7 por cento no mesmo intervalo de 2006.
Considerando apenas o mês de março, a fatia da AmBev ficou em 66,8 por cento, redução de 2,1 pontos percentuais contra igual período do ano passado, segundo dados da empresa de pesquisa AC Nielsen.
'A nossa expectativa é que já a partir da próxima leitura da Nielsen no mínimo a gente reverta a queda ou não continue caindo', afirmou a jornalistas o diretor-geral da AmBev para a América Latina, Luiz Fernando Edmond.
Enquanto a AmBev perdeu espaço no mês passado, a Petrópolis --dona da marca Itaipava-- chegou a 8,1 por cento das vendas de cerveja no Brasil, ante 6,0 por cento um ano antes. A Schincariol ficou com 12,4 por cento do mercado, praticamente estável. A Femsa, fabricante da Kaiser, tinha 8,5 por cento, avanço de 0,4 ponto percentual em 12 meses.
Edmond atribuiu a queda do market share da AmBev aos ajustes de preços implementados pela empresa.
'Nós historicamente, após os nossos ajustes de preços, sofremos um pouco até que os concorrentes decidam seguir ou não o nosso aumento. Neste ano tem demorado um pouco mais para os concorrentes reposicionarem seus preços, e ainda assim eles vêm fazendo abaixo da média', justificou o executivo.
Além disso, segundo ele, a AmBev 'não construiu o mesmo nível de estoque no mercado' que costumava fazer antes dos aumentos de preços de seu portfólio de cervejas no país, que variaram de 3 a 4 por cento.
Edmond disse que a AmBev atuará 'cirurgicamente' para reverter a queda de participação no mercado, 'sem destruir a rentabilidade', mas evitou dar detalhes da estratégia.
Ele destacou que o volume de vendas de cerveja da AmBev no mercado interno cresceu 5,1 por cento no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado.
O segmento de cerveja no Brasil representa mais da metade da receita líquida da AmBev, responsável pelas operações nas Américas da InBev, maior cervejaria do mundo em volume.
Nesta quinta-feira, a AmBev divulgou lucro líquido de 645,9 milhões de reais no primeiro trimestre, queda de 1,5 por cento contra o mesmo período do ano passado.
CINTRA
De acordo com o diretor-geral da AmBev, a empresa iniciará a produção de seus refrigerantes nas duas fábricas compradas da Cintra até junho. A produção de cerveja nas duas unidades --uma em Piraí, no Rio de Janeiro, e outra em Mogi Mirim, interior de São Paulo-- deve começar no terceiro trimestre.
A AmBev anunciou no final de março a aquisição das plantas das Cervejarias Cintra por 150 milhões de dólares. O destino das marcas e dos ativos de distribuição da Cintra ainda são incertos, já que o vendedor tem opção até outubro de vender para um terceiro esses negócios.
'A aquisição da Cintra não tem nada a ver com market share.
A gente precisa de capacidade', enfatizou Edmond.
Segundo ele, a AmBev avalia a construção de uma nova fábrica na região Norte, onde a empresa tem atualmente uma unidade produtiva em Manaus. O projeto será definido até o princípio de 2008.
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