SÃO PAULO - A companhia italiana de petróleo Eni cortou a produção de 150 mil barris de óleo-equivalente (BOE) por dia na Nigéria, após rebeldes detonarem bombas em três oleodutos no país.
O Movimento para a Emancipação do Delta do Níger (MEND, na sigla em inglês), responsável pelos ataques, afirmou por e-mail que destruiu os oleodutos para constranger o presidente do país, Olusegun Obasanjo, prestes a deixar o cargo.
Segundo o comunicado do grupo, há a intenção de realizar novas ações no país, cuja produção de petróleo já estava afetada por conta de outros ataques de rebeldes.
Se esses dois oleodutos realmente tiverem sido destruídos, então a produção seria zero, disse um funcionário da Eni, que pediu anonimato. Eles são as duas únicas linhas para transporte de nossa produção, completou.
Na Itália, o comando da companhia confirmou a suspensão da produção em seus campos de Akri e Oshi após a notícia da sabotagem nos oleodutos de Ogoda-Brass e Tebidaba-Brass.
A companhia anunciou que já começou os trabalhos de reparo nos dutos, mas não especificou exatamente o volume de produção perdido. A capacidade dos terminais de Brass é suficiente para exportar 200 mil BOE/dia, mas a fonte interna da companhia afirma que a atual utilização dos dutos é de 150 mil BOE/dia.
O MEND, cuja principal reivindicação é o controle local das reservas de petróleo do Delta do Níger, uma região de população tão pobre quanto é rica em petróleo. Desde fevereiro do ano passado, os rebeldes têm realizados ações que levaram a uma redução de 600 mil BOE/dia na produção total da região, explorada por petrolíferas estrangeiras.
(Valor Online, com agências internacionais)