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PC chinês muda o conceito de "trabalhador" na festa de 1 de Maio

01/05 - 03:34 - EFE

Pequim, 1 mai (EFE).- Os chineses comemoram hoje o Dia Internacional do Trabalho com viagens e compras, enquanto o Partido Comunista da China (PCCh), que governa o país desde 1949, procura uma nova definição de "trabalhador" que se adapte ao avanço do capitalismo.

Ao contrário da festa do Ano Novo Lunar, em que todas as portas do comércio se fecham, hoje as lojas e restaurantes abriram para milhões de chineses. Eles estão dispostos a gastar o seu dinheiro em boa comida e presentes.

Pelo menos 150 milhões de chineses, segundo o Ministério de Transportes, viajam por terra, mar e ar durante a semana, um dos três períodos de férias obrigatórios no país.

Os 200 milhões de imigrantes rurais que vivem nas cidades, porém, não podem se dar ao luxo de viajar nem de comprar por lazer. Eles passam o feriado sentados nos canteiros de obras e com uma austeridade forçada.

Apesar da sua contribuição para o crescimento do país, este ano somente 20 operários figuraram entre os 1.024 premiados com medalhas entregues pelo Governo aos "trabalhadores modelo". O prêmio, nos últimos anos, tem privilegiado empresários privados e figuras como o astro do basquete Yao Ming.

É uma das provas de que o Dia do Trabalho perdeu boa parte de suas conotações históricas na nova China. O PCCh procura redefinir o conceito de operário que implantou há 58 anos.

"Devemos cultivar uma nova geração de trabalhadores, orientados tecnicamente e bem pagos", diz hoje um editorial do "Diário do Povo", porta-voz oficial do PCCh.

O artigo afirma que "a imagem do trabalhador está sofrendo uma drástica mudança" e que "cada vez mais, entre os jovens, ser um trabalhador significa um fracasso na vida".

A preocupação do partido se justifica pelo resultado de enquetes recentes. No coração comercial e financeiro do país, Xangai, só uma de cada mil crianças quer ser operário quando crescer.

"É natural que não queiram ser operários, considerando o alto risco, o baixo salário e a falta de respeito", disse ao "Diário do Povo" um trabalhador do setor do aço.

Consultado pela Efe, o departamento de propaganda do PCCh não quis fazer comentários sobre o significado da festa de 1 de Maio na China atual. "Nós não comentamos o tema", disse um porta-voz do partido que representaria os trabalhadores do país. EFE cg mf


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