SÃO PAULO - Como já era esperado o mercado doméstico voltou a se orientar pelo ânimo da praça americana na última sexta-feira, em um dia marcado por importantes indicadores econômicos dos Estados Unidos
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou o desempenho de Wall Street e, apesar da piora de humor gerada de manhã com os dados do PIB americano, conseguiu inverter o rumo negativo e fechar no azul.
O dólar também encerrou com valorização, influenciado ainda pelas atuações do Banco Central.
O Ibovespa encerrou aos 49.229 pontos, com valorização de 0,33%, e giro financeiro de R$ 3,259 bilhões.
Na mínima do dia, entretanto, o índice chegou a 48.311 pontos, com baixa de mais de 1%.
Entre sessões de altas e baixas, ao longo da semana a bolsa paulista encerrou a semana com queda de 0,36%.
A moeda americana fechou com alta de 0,19%, negociada a R$ 2,0300 para a compra e R$ 2,0320 para a venda.
Na semana, o dólar acumulou alta de 0,20%.
Segundo informações de mercado, o giro interbancário foi de US$ 4,100 bilhões.
Na roda de dólar pronto a divisa subiu 0,30%, vendido a R$ 2,0310, com giro financeiro de US$ 606,2 milhões.
Entre os analistas do segmento acionário a avaliação geral é de que a bolsa tem conseguido se sustentar em um patamar bastante alto e, ao mesmo tempo, permitir uma gradual realização de lucros entre os investidores.
Segundo Nami Neneas, responsável pela área de renda variável da Banif Primus Banco de Investimento, o cenário local continua bastante favorável e, apesar dos dados negativos nos Estados Unidos, as bolsas americanas também não se renderam ao pessimismo e fecharam com ganhos.
O momento mais crítico para o mercado ocorreu logo após a abertura, logo após a divulgação da primeira prévia de crescimento do PIB americano no primeiro trimestre deste ano, que cresceu a uma taxa anual de 1,3% no primeiro trimestre deste ano, contra expansão de 2,5% nos últimos três meses de 2006.
A taxa ficou abaixo da previsão dos analistas, que esperavam um aumento entre 1,7% e 1,8% para o período.
Segundo avaliação de Solange Srour, economista-chefe da Mellon Global Investments Brasil, o lado mais preocupante da composição do indicador foi a contribuição negativa do investimento fixo em residências.
Por outro lado, a economista menciona que foi positivo o aumento da atividade gerada por gastos com consumo pessoal, que dá sustentação para a expansão econômica do país.
De acordo com Neneas, no período da tarde muitos bancos de investimento apresentaram relatórios dobre o indicador que amenizaram o humor dos players.
No segmento cambial, as intervenções do Banco Central voltaram a orientar os negócios.
Com o giro dentro da normalidade e um comportamento menos otimista por parte dos investidores tanto na bolsa paulista quanto no segmento de juros futuros, os analistas afirmaram que não foi tão difícil para o BC manter o dólar em ligeira alta hoje.
Pela manhã, às 11h30, o BC anunciou uma nova oferta de 12.700 contratos de swap cambial reverso, no valor de US$ 600,7 milhões.
No momento do anúncio, a moeda atingiu sua cotação máxima, de R$ 2,0370.
À tarde, perto das 15h30, foi o momento de comprar divisas no mercado à vista.
A autoridade monetária aceitou pagar R$ 2,310 pela moeda.
Nessa segunda operação a cotação da moeda não expressou movimento, mas, segundo informações de mercado, o BC teria comprado cerca de US$ 600 milhões ao acatar oito propostas de oito bancos.
Segundo Alexandre Ferreira, vice-presidente de tesouraria do WestLB, o Banco Central foi bem sucedido na tarefa de calibrar o tamanho de suas atuações em função do fluxo de mercado.
A recuperação observada nos demais segmentos trouxe maior tranqüilidade para as operações domésticas e as taxas DIs diminuíram significativamente o movimento de alta visto durante a primeira etapa dos negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) e muitos contratos ficaram estáveis.
No call de fechamento, o contrato de DI pata janeiro de 2008 projetou 11,60% anuais, com queda de 0,01 ponto.
A valorização na primeira etapa dos negócios foi justificada em parte pela frustração dos investidores com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na quinta-feira, associado à piora do quadro internacional.
Esse movimento, entretanto diminuiu ao longo da tarde, quando os investidores perceberam que nem mesmo o mercado americano sustentou a cautela com os dados de crescimento.
Miguel Dario Sano, gestor de renda fixa da Sul América Investimentos, afirma que esse comportamento nos DIs também embutiram ajustes técnicos.
Após a forte queda dos prêmios registrada na semana passada após a decisão divergente do Copom, o ligeiro avanço desta semana já representa um ganho para os investidores de curto prazo, o que estimula o retorno à ponta de venda.
(Bianca Ribeiro | Valor Online).