Depois da definição na presidência do BNDES, as especulações de mercado voltam-se agora para a Petrobras, com eventuais substituições de diretores executivos da estatal. A diretoria de exploração e produção da Petrobras transformou-se em objeto de disputa no PT e nos bastidores do segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dois candidatos brigam pelo lugar: o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Newton Monteiro, e o engenheiro Allan Kardec, ambos funcionários de carreira da estatal, mas com apoios políticos diferentes e até opostos.
O atual diretor, Guilherme Estrella, deverá sair. A área tem um orçamento previsto de cerca de US$ 10 bilhões por ano. Outro possível candidato, Irani Varella, é considerado entre os próprios petistas como fora da disputa pelo cargo - a "diretoria que fura poço", na descrição de Severino Cavalcanti, que a exigiu quando era presidente da Câmara.
Restam Monteiro e Kardec, que têm se movimentado em busca de sustentação.
Monteiro tem suas pretensões apoiadas por uma ampla aliança. Ela inclui o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP); o secretário particular do presidente Lula, Gilberto Carvalho; o dirigente nacional petista Francisco Rocha, o Rochinha; e políticos petistas fluminenses, como o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e o presidente do PT do Rio, Alberto Cantalice. É bem visto por Lula, que considera boa sua passagem pela ANP e já avisou que pretende dar uma solução técnica para o caso. O PT do Rio, contudo, considera o caso politicamente, sobretudo devido à possibilidade de financiamento de campanhas municipais em 2008.
Na outra ponta, Kardec tem ligações com o PTB mineiro e seu principal político atualmente, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Outro padrinho de sua candidatura é o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), sendo este amigo do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli - ambos têm fortes raízes na política baiana. Walfrido e Wagner são considerados apoios fortes. O ministro é visto por Lula como um político eficiente, com boa avaliação de sua passagem no primeiro governo, no qual comandou a pasta do Turismo, e bom articulador. Jaques, que ocupou o lugar que hoje é de Walfrido, é amigo próximo do presidente, sobre o qual tem influência.
Há rumores também sobre uma disputa pela presidência da BR Distribuidora, que tem cerca de US$ 500 milhões por ano para investimentos.
Na empresa, comenta-se que a atual presidente, Maria das Graças Silva Foster, estaria deixando o cargo para assumir a diretoria de gás e energia da Petrobras, ocupada pelo professor Ildo Sauer, da USP, desde o início do governo Lula. O posto é desejado pelo PMDB, que hoje já tem a presidência da Transpetro, com Sérgio Machado.