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Embraer quer construir avião de transporte militar

19/04 - 14:57 - EFE

Rio de Janeiro, 19 abr (EFE).- A Embraer anunciou nesta quinta-feira que estuda a possibilidade de produzir um avião de transporte militar com capacidade para carregar até 19 toneladas.

A companhia, a quarta maior fabricante de aviões do mundo, e que produz aeronaves tanto civis como militares, comunicou que já identificou um mercado para o avião, e que espera concluir os estudos de viabilidade e encontrar sócios para desenvolver o projeto.

"Em contatos com ministros da Defesa de vários países, descobrimos que existe uma demanda reprimida por aeronaves de transporte militar", afirmou o vice-presidente executivo da Embraer para o Mercado de Defesa e Governo, Luiz Carlos Aguiar, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.

Aguiar afirmou que a empresa já tem um projeto para desenvolver um avião de transporte militar de médio porte, cujo nome seria "Embraer C-390", e determinou que o intervalo entre o fim dos estudos de viabilidade e o possível início das operações deve ser de quatro anos.

A aeronave, que seria a mais pesada entre as já construídas pela empresa brasileira, utilizaria como base algumas estruturas do Embraer 190, como as asas e a fuselagem. O 190 é o maior avião de transporte civil oferecido pelo fabricante, com capacidade para cem passageiros.

De acordo com o projeto, o Embraer C-390 contará com uma ampla cabine, modernos sistemas de embarque e desembarque, e uma rampa traseira para permitir o transporte de diferentes tipos de carga, incluindo blindados sobre rodas.

O avião poderá ser abastecido em pleno vôo, e poderá funcionar como fornecedor de combustível para aeronaves em vôo e em solo.

A cabine de carga terá estrutura para permitir o transporte de feridos e doentes, em missões médicas de evacuação.

O C-390 terá, ainda, uma moderna tecnologia para facilitar o trabalho do piloto, nas operações em pistas curtas e não pavimentadas.

"Nossas análises indicam que existe um mercado potencial para esse tipo de aeronave em nível global, especialmente na substituição de modelos antigos, cuja vida útil terminará na próxima década", afirmou Aguiar.

O executivo disse que o estudo de viabilidade feito pela Embraer identificou 700 aviões de transporte militar, em 77 diferentes partes do mundo, cuja vida útil está chegando ao fim ou que precisam ser modernizados - dentre os quais 22 no Brasil.

Acrescentou que, com o envelhecimento dos aviões de transporte e com o elevado preço dos novos modelos, muitas forças aéreas do mundo vêm investindo na modernização de seus aparatos.

"Esse é um nicho de mercado que a Embraer pode aproveitar", disse Aguiar.

Em reunião com jornalistas, o presidente da Embraer, Maurício Botelho, afirmou que a empresa calcula em US$ 500 milhões os recursos que seriam necessários para desenvolver o novo avião.

Aguiar explicou que o segmento militar representa, atualmente, 6% das vendas da Embraer, uma porcentagem muito reduzida para uma empresa que nasceu vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB).

Hoje, os principais produtos da empresa na área militar são os aviões de combate Supertucanos, com demanda em vários países; os aviões de vigilância, que já foram vendidos a países como Grécia e México, e os aviões de transporte de autoridades, adaptados com modernos equipamentos de comunicação e segurança. EFE cm is/gs


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