O diretor-presidente da Perdigão, Nildemar Secches, vai deixar o comando da companhia dentro de um ano. Há 12 anos no cargo, Secches também foi escolhido ontem presidente do Conselho de Administração da companhia, em substituição a Eggon João da Silva, no posto desde 1994.
O nome do novo presidente da Perdigão ainda não está definido. O mais provável é que saia de um time de 10 diretores da companhia, que já estão passando por processos de treinamento e avaliação. "A preferência é por uma sucessão interna e temos mais de uma opção na casa", disse Secches, de 58 anos, que alegou razões pessoais para deixar o cargo. "Na vida, você tem de criar fatos e não deixar que os fatos decidam por você. Se você fica muito tempo em um cargo, as pessoas acabam confundindo o sobrenome do executivo com o da empresa." Quando Secches comunicou sua intenção de passar o bastão, os acionistas tentaram demovê-lo da idéia, mas acabaram respeitando sua vontade, dizem fontes ligadas à empresa. Nos doze anos de sua gestão, o valor de mercado da Perdigão saltou de US$ 200 milhões para US$ 2,3 bilhões, com crescimento médio anual de 24% nas receitas. "Pretendo entregar a companhia com um valor de mercado ainda maior", disse.
Segundo Secches, o novo presidente será um executivo com talento para trabalhar em equipe, com perfil internacional. Seu principal desafio será transformar a Perdigão "em uma companhia de classe mundial, com estrutura para tomadas de decisão fora do Brasil".
Com 50% de sua receita baseada em exportações, a Perdigão possui escritórios comerciais e de distribuição em diversos países na Europa e Ásia e clientes em mais de 100 países. Para se tornar uma companhia multinacional, o próximo passo, diz Secches, será montar estruturas industriais no exterior.
Para isso, a empresa pretende adquirir, ainda na gestão Secches, unidades de produção de frango na Europa e/ou na Ásia, para abastecer supermercados nessas regiões, com pratos prontos à base de frango da marca Perdix. A idéia é estar próximo ao mercado consumidor e ganhar agilidade no desenvolvimento de novos produtos. "Uma base no exterior nos permite ter mais acesso a mercados." Além de uma ou mais aquisições no exterior, Secches pretende iniciar a construção de uma unidade de abate de bovinos, possivelmente no Centro-Oeste, antes de deixar o cargo. Esses novos negócios serão financiados com parte dos R$ 800 milhões que a empresa captou recentemente no mercado.
O sucessor de Secches terá ainda o desafio de manter a taxa de crescimento de 24% até 2011, como previsto no plano estratégico da empresa. Além da expansão internacional e do fortalecimento das áreas de bovinos e lácteos, a Perdigão planeja ampliar sua produção de peru, chester e frango.
Conselho Em assembléia geral realizada ontem, os acionistas da Perdigão decidiram renovar 50% do Conselho de Administração. Além de Secches, entre os sete novos conselheiros está o presidente da Embraer, Maurício Botelho, que também está concluindo um processo de "sucessão planejada".
Botelho entrega o cargo na próxima semana para Frederico Curado, mas permanecerá na presidência do Conselho de Administração. "Esperamos aprender com a experiência internacional de Botelho", afirmou Secches. "E, obviamente, ele vai ajudar no processo sucessório." As informações são de O Estado de S. Paulo. *Colaborou Irany Tereza da Silva