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Bird se prepara para reunião abalado pela polêmica que envolve Wolfowitz

12/04 - 15:50 - AFP

WASHINGTON - O Banco Mundial (Bird) vai realizar neste fim de semana em Washington sua assembléia semestral num cenário desfavorável, gerado pelo caso de nepotismo envolvendo seu presidente, Paul Wolfowitz, que havia optado por levar adiante uma nova estratégia de luta contra a pobreza.

Durante um encontro na quarta-feira, que deveria em princípio ser dedicado à África, o presidente do Bird teve de enfrentar as perguntas dos jornalistas sobre reajustes suspeitos de salários que teria aprovado para a namorada, Shaha Riza, ex-funcionária do banco.

"Escutem, vocês não vão obter de mim nada mais do que acabo de dizer. E não penso que seja justo, em visto dos demais temas da ordem do dia, dedicar muito tempo a este assunto", respondeu nervoso, esquivando-se das perguntas.

O Financial Times divulgou nesta quinta-feira que foi o próprio Paul Wolfowitz que aprovou este aumento, elevando o salário de Riza a quase 200.000 dólares anuais.

O banco não respondeu por enquanto aos pedidos de confirmação da AFP.

Para o ex-secretário adjunto da Defesa da administração Bush, a assembléia, que acontece ao mesmo tempo em que a do Fundo Monetário Internacional (FMI), na capital americana, deve no entanto, antes de mais nada, ser dedicada a suas vastas ambições de reforma.

Seu plano de luta contra a corrupção nos países em desenvolvimento foi adotado depois de duras discussões há algumas semanas e deveria servir a ele de trampolim para lançar outras iniciativas, destinadas a melhor determinar quais as políticas a serem priorizadas na luta contra a pobreza - missão que foi confiada ao banco já durante sua criação, um dia depois da II Guerra Mundial.

A escolha se dividiu basicamente entre ajuda ao crescimento econômico e programas em favor da educação e da saúde, o caminho adotado pelo presidente anterior, James Wolfensohn.

Na mesma linha da administração republicana do presidente George W. Bush sobre o plano bilateral, Wolfowitz não dissimula sua preferência por uma ação mais centralizada na ajuda ao crescimento. Isso privilegiaria os países que adotam políticas econômicas liberais e fazem da luta contra a corrupção uma prioridade.

"Não podemos privilegiar a assistência à luta contra a aids, a malária, a educação primária, por exemplo, se o resto do país não funciona", destacou na quarta-feira.

Há dois anos na presidência do Bird, ele dificilmente consegue obter consenso, tanto com os administradores do Banco, ou seja os representantes dos países-membros, como quanto com os funcionários.

As relações são também difíceis com os quadros de dirigentes do banco. Vários deixaram a empresa enquanto Wolfowitz reforça suas relações com colaboradores de longa data, saídos do partido republicano.

A brecha apareceu com o caso de Riza, uma ex-responsável da comunicação do Bird transferida desta instituição em setembro de 2005 para o departamento de Estado, seis meses após a chegada à presidência de Wolfowitz.

Apresentada pela imprensa americana como namorada de Wolfowitz, ela teria recebido mais de 60.000 dólares de aumento de salários nesses 18 últimos meses, irritando os membros do Banco Mundial que espalharam a notícias.



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