BRASÍLIA - A visita feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, há cerca de um mês, quando o senador oposicionista estava internado, começou a lhe render dividendos políticos
Ontem, ACM foi ao Palácio do Planalto agradecer o gesto de Lula e, depois de uma conversa " longa e amigável " , saiu de lá com a missão de tentar uma aproximação do presidente com senadores da oposição.
" Foi uma conversa útil " , disse ACM, admitindo que houve troca de elogios no encontro.
Nem parecia o senador que, da tribuna, já chamou Lula de " corrupto número um do Brasil " e de um presidente " que não respeita a moralidade pública, que não é sério e que os momentos de lazer que tem são para embebedar-se " .
No encontro de ontem, o tom foi outro.
" Eu sou muito respeitoso em relação ao presidente, principalmente pessoalmente " , afirmou.
O baiano, que enfrenta um momento de revés político no seu Estado - com a eleição do petista Jaques Wagner para governador, a derrota do seu candidato a senador e, recentemente, a nomeação do pemedebista e seu desafeto político Geddel Vieira Lima como ministro da Integração Nacional - chegou a dar conselhos políticos a Lula.
" Eu disse a ele que um presidente que ganha uma eleição com 20 milhões de votos de diferença não precisa se submeter a ninguém.
Ele não deve ficar refém de nenhum partido " , contou ACM.
" A força, inegavelmente, da eleição foi dele " , disse o baiano, para quem Lula poderia escolher o melhor ministério, sem depender de indicações de partidos.
Com a tarefa de criar pontes com a oposição, ontem mesmo ACM falou com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e com o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM).
ACM transmitiu o interesse de Lula em conversar.
Nada ficou marcado.
Mas Tasso sinalizou com a possibilidade de atender o convite.
" Temos que avaliar a grosseria de não aceitar " , disse a senadores do PSDB e do DEM.
O líder do DEM, José Agripino (RN), foi cauteloso.
Disse que, se receber um convite para dialogar com o presidente, consultará a opinião da bancada do partido.
" Não vejo por que essa disposição repentina do presidente.
Mas uma conversa passa pela disposição da bancada e por uma pauta pré-estabelecida " , disse Agripino.
(Raquel Ulhôa | Valor Econômico).