02/04 - 22:38, atualizada às 22:38 02/04 - Agência Estado
O entra-e-sai nas agências da CVC durante toda a tarde de ontem se limitou a poucas pessoas interessadas em pacotes rodoviários para as cidades históricas mineiras ou para Caldas Novas, em Goiás. Ainda assim, os funcionários não tiveram nenhum momento sequer de sossego.
"O movimento está fraco, mas o telefone não pára de tocar", disse Paulo Reis, supervisor da loja do Shopping Market Place, na zona sul de São Paulo. "As pessoas estão preocupadas, não sabem se vão conseguir viajar na Páscoa."
Às vésperas do feriado prolongado da Semana Santa - o quarto período do ano mais lucrativo para as empresas de turismo (atrás do Natal, Carnaval e férias de julho) -, as companhias aéreas, agências de viagem e redes de hotéis vivem um momento de incertezas com mais uma crise no setor.
Segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), que representa 62 empresas, o número de pacotes vendidos para a Páscoa foi 40% menor do que no mesmo período do ano passado.
"Além dessa queda expressiva, prevemos que 5% das pessoas que já fecharam pacotes para o feriado vão pedir o cancelamento por causa da confusão nos aeroportos", diz o empresário José Zuquim, presidente da Braztoa. No começo do ano, a entidade estava otimista e previa um crescimento de até 20% do setor.
"Pelo jeito, 2007 será decepcionante. Sorte nossa que os pacotes para a Semana Santa já haviam sido vendidos, senão o prejuízo ia ser bem maior. O problema é daqui por diante. As pessoas vão ficar cada vez mais receosas em comprar uma passagem aérea e vão preferir viajar de carro para o campo e para a praia. Ou não vão sair de casa mesmo."
É justamente o caso da estudante de moda Patrícia Natal, de 23 anos, que planejava conhecer Buenos Aires na Páscoa. "Ficaria na casa de uma amiga argentina, estava tudo certinho", diz. "Já tinha até checado na internet os restaurantes interessantes e as baladas de lá. Fiquei de comprar a passagem neste fim de semana, mas desisti depois de ver na tevê toda essa confusão. Não vou me arriscar a ficar presa no aeroporto, sem vôo. Prefiro ir pro Guarujá."
Praias lotadas
Ameaças não faltam para aumentar o temor. "Se a partir de terça não tivermos as promessas do governo colocadas em prática, pode haver outra greve, e a Semana Santa pode ser outro inferno", afirmou no sábado o advogado dos controladores de tráfego aéreo, Normando Cavalcanti.
Os reflexos dessa desconfiança já podem ser sentidos no Terminal Rodoviário do Tietê e nos hotéis do litoral norte de São Paulo. Segundo o consultor em turismo Camilo Sampaio, o movimento de passageiros na rodoviária da zona norte da cidade deverá ser 20% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.
"De quinta-feira até domingo, devem embarcar e desembarcar cerca de 400 mil pessoas", diz. "Esse aumento está fazendo com que as empresas de ônibus refaçam suas projeções de lucros para este ano." Em Ilhabela, dez pousadas procuradas pela reportagem do Estado estavam com 100% de ocupação para o próximo feriado - sendo que a maioria das reservas foi feita nos últimos três dias, depois do novo episódio de caos nos aeroportos.
"De um ano para cá, o movimento subiu 15%", diz o empresário Guto Ferrarini, dono de um hotel na praia de Juquehy e presidente da Associação Costa dos Alcatrazes, que representa os hotéis e restaurantes da faixa litorânea de São Sebastião que vai desde Boracéia Norte até Boiçucanga.
"Para a Páscoa, estamos lotados e muita gente ainda está ligando aqui atrás de quartos". disse Ferrarini".
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