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Com a prática, capital a custo baixo

02/04 - 12:11 - Agência Estado

De olho na oportunidade de ampliar a participação no mercado de bobinas de aço carbono e aço inox, Raimundo de Souza Lima, de 60 anos, e os filhos Marcelo, de 34 anos, e Márcio, de 27 anos, sócios na Sideraço Indústria e Comércio de Produtos Siderúrgicos Ltda., localizada em Diadema, no ABC paulista, resolveram que já era hora de profissionalizar a gestão da empresa familiar.

"Nós estamos numa posição em que não somos uma empresa pequena, mas também não somos uma grande", comenta Marcelo, que atua como diretor-operacional.

Depois de uma pesquisa em busca de novas estratégias para gerir o negócio, os sócios decidiram contratar um consultor para auxiliar na implantação do sistema de governança corporativa no empreendimento. O caso da Sideraço é um exemplo do interesse de empresas de porte pequeno e médio em aplicar esse sistema de práticas. Segundo a diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Heloísa Bedicks, a consulta desse segmento por informações sobre o tema tem aumentado nos últimos tempos.

Os princípios básicos da governança corporativa consistem na transparência (exemplificadas por práticas como auditoria independente e divulgação de relatórios anuais), eqüidade entre acionistas majoritários e minoritários, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Em 1999, o IBGC lançou o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, que agora está na terceira edição, com mais de 20 mil cópias distribuídas. O instituto também ministra cursos específicos voltados para pequenas e médias empresas.

Para Heloísa, o principal benefício de adotar o sistema é o acesso ao capital a um custo mais baixo quando se mostra ao banco que a empresa possui práticas de governança instituídas. "O risco dela perante a instituição financeira é muito menor", garante Heloísa. Outra vantagem para as empresas familiares, segundo ela, é reduzir possíveis conflitos entre os parentes/sócios.

O professor de Finanças do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ricardo Leal, considera que o sistema de governança corporativa não é propício a empresas muito pequenas já que essas práticas tratam das questões dos relacionamentos dos acionistas entre si e deles com a direção da empresa. "Esse sistema só vai fazer sentido a partir do momento em que você começar a admitir sócios externos", argumenta.

Resultados Apesar de contar com a consultoria há apenas cinco meses, Marcelo, da Sideraço, diz que os primeiros resultados já estão aparecendo. "Dá pra sentir que a coisas andam mais sozinhas", diz ele. Tarefas foram delegadas e funções que já existiam informalmente foram oficializadas, como cargos de gerência. "Tentamos sempre usar a mão-de-obra que já tínhamos." Nesse caso, a função do consultor contratado por eles, Domingos Ricca, especializado em empresas familiares, é olhar todos os pontos da empresa, desde o RH até a parte fiscal, e apontar soluções sob o prisma da governança corporativa. "Numa empresa familiar, alguns procedimentos internos às vezes são feitos por vícios. A consultoria serve para você não agir a cada hora por instinto e tratar aquilo com um padrão." As sugestões do consultor são ouvidas, analisadas e acatadas - ou não. Uma das propostas aceitas pelos sócios foi criar um manual da empresa, trazendo itens como missão, valores e procedimentos da área de recursos humanos, como o respeito à hierarquia. "Era muito fácil um funcionário pular a estrutura hierárquica para resolver um problema com o dono", conta o diretor-operacional.

Um dos pontos fundamentais na visão de Ricca - a sucessão do fundador da empresa - ainda não começou a ser discutido no processo da governança corporativa da empresa. "Meu pai ainda é muito ativo aqui", afirma Marcelo. "Mas isso vai ser pensado e discutido sim"


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