Uma vacina desenvolvida na Austrália pode ser alternativa eficiente à castração de suínos, prática obrigatória por lei no Brasil. O procedimento cirúrgico, utilizado para evitar que a carne de porco cozida exale odor desagradável - o chamado odor sexual, presente no tecido gorduroso do animal -, será proibido na União Européia a partir de 2009, seguindo a tendência de bem-estar animal.
Com a proibição da prática na UE, é provável que a castração se torne um entrave às exportações de países fornecedores de carne suína. Neste contexto, a vacina surge como uma opção aos produtores.
A vacina foi testada pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Carnes (CTC), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), e os resultados foram satisfatórios, diz o pesquisador Expedito Tadeu Facco Silveira, do CTC.
Segundo ele, a castração cirúrgica apresenta uma série de desvantagens, como menor produtividade, carcaça com mais gordura e maior índice de mortalidade de leitões, além de ser um custo a mais para o criador. "A questão é que se ela não for feita, o odor aparece e a rejeição do mercado é certa", explica.
Ele diz que a vacina é semelhante a uma proteína, que bloqueia a produção do odor desagradável pelo animal. "Ela traz os mesmos benefícios do abate do macho inteiro, com a vantagem de dispensar intervenção cirúrgica." Critérios Para o pesquisador Osmar Antônio Dalla Costa, da Embrapa Suínos e Aves, a vacina pode favorecer o bem-estar animal - já que que a castração é realizada, normalmente, sem anestesia. Porém, diz, é necessário verificar aspectos como custo-benefício e adotar parâmetros fisiológicos, que comprovem benefícios ao animal.
"O criador deve pesar fatores como tempo gasto para vacinar, quantos dias antes do abate a vacina é aplicada e qual a duração do efeito do medicamento", observa. Segundo ele, é preciso também "comprovar cientificamente a qualidade da carne do animal vacinado que chega ao mercado e conhecer a fundo a opinião do consumidor."