20/03 - 09:09, atualizada às 12:45 20/03 - Agência Estado
No mesmo dia em que Petrobras, Braskem e Ultra confirmaram a compra do Grupo Ipiranga por cerca de US$ 4 bilhões, cresceram os indícios de vazamento de informação durante as negociações. Sexta-feira, o movimento com ações da Refinaria Ipiranga na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atingiu R$ 13 milhões, mais de 27 vezes o giro médio.
Quatro acionistas minoritários já formalizaram queixa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedindo esclarecimentos sobre a questão. A superintendente de Relações com Empresas da CVM, Elizabeth Lopez Rios Machado, reconheceu que a maioria dos negócios na sexta-feira envolveu ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas empresas.
Pela lei, em caso de venda, os donos desses papéis, diferentemente dos acionistas preferenciais (PN), têm direito a receber 80% do valor a ser pago aos controladores.
Sexta-feira, a CVM pediu explicações à Ipiranga sobre a alta acima do padrão das ações da companhia. E acionou a Bovespa para obter informações sobre quem operou com os papéis. O fato relevante publicado ontem pela Ipiranga ao mercado é considerado, em parte, uma resposta aos questionamentos.
A CVM argüiu, porém, diretamente os diretores de Relações com Investidores de todas as empresas do grupo, com perguntas específicas sobre o processo de venda. Até a noite de ontem, nenhum deles havia dado resposta. Segundo a CVM, os diretores podem ser responsabilizados também como pessoas físicas, caso seja constatado o vazamento de informação.
A superintendente explicou que as investigações podem resultar na abertura de inquérito administrativo. “A concentração em ações ordinárias e o fato de hoje (ontem) se divulgar fato relevante envolvendo a alienação de controle parecem indicar que vazou a informação.”
Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, um dos sócios do Grupo Ipiranga, não acredita em vazamento de informações. Segundo ele, a proposta de compra só chegou aos controladores na noite de sexta-feira e foi fechada na madrugada de domingo.
Mais contestações
Os minoritários também contestaram o valor da oferta feita pelo grupo de empresas que adquiriu a Ipiranga. Segundo Otávio Magalhães, da gestora de fundos Guepardo, houve “uma discrepância nunca antes vista em qualquer operação da Bovespa” entre o que foi pago aos controladores e os minoritários.
Os minoritários também não teriam gostado da obrigatoriedade de permuta de ações do Grupo Ipiranga por papéis da Ultrapar. “Por que obrigar o minoritário a sair de Ipiranga e migrar para Ultrapar?”, indagou o gestor. Para a Guepardo, as ações do Ultra estão supervalorizadas na Bovespa, enquanto os papéis do Grupo Ipiranga estão subavaliados.
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