A parceria entre Petrobras e Braskem na Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) pode reduzir a concorrência no mercado brasileiro de resinas termoplásticas, a matéria-prima utilizada na produção do plástico. Os produtores querem que a Petrobras, a exemplo do acordo que fechou com a Braskem, também considere parcerias com outras empresas para garantir matéria-prima petroquímica a preços competitivos.
O alerta foi feito ontem por José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), entidade que reúne 24 indústrias produtoras de resinas termoplásticas, entre as quais a Suzano, a Dow, a Unipar e a própria Braskem.
Segundo ele, o acordo para a compra da Ipiranga Petroquímica, anunciado ontem, é positivo para o setor no Brasil. "É um acordo que está em linha com o processo de consolidação em curso no mundo", explicou Coelho. O problema é como o acesso privilegiado a matérias-primas pode criar uma distorção no mercado. Como a Petrobras é a única fornecedora do insumo, tê-la como sócia numa central petroquímica significa ter um grande aliado para disputar mercado.
A Petrobras Química S.A. (Petroquisa), braço petroquímico da Petrobras, participa de outras centrais petroquímica no País, como a Rio Polímeros, onde detém 16,7%. A participação majoritária neste projeto é dividida entre a Suzano Petroquímica e a Unipar (ambas com 33,3%). Na Petroquímica União, em São Paulo, a Petroquisa participa com 17,4% do negócio. Mas nenhuma dessas participações chega perto da parcela que a Petrobras terá na Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), onde terá 40% do negócio.
"É importante para o mercado esse tipo de acordo, mas a Petrobras precisa observar se essa participação não afeta a concorrência no mercado de resinas", explicou. A própria Petroquisa detém 10% da Braskem. Além disso, a Braskem poderá se beneficiar com o projeto de um pólo gasoquímico na Bolívia, com o insumo comprado pela Petrobras.
Além de atingir as petroquímicas, a concentração no setor de resinas pode afetar os transformadores. No Brasil, há mais de 8 mil empresas que utilizam resinas para produzir peças para a indústria automotiva ou eletroeletrônica, como para produção de utensílios domésticos. Coelho lembra que boa parte do mercado brasileiro enfrenta a concorrência asiática. A redução da concorrência entre as produtoras de resinas pode afetar os transformadores.
Novo ciclo Para José Luiz Zuñeda, sócio da MaxiQuim, empresa de assessoramento de mercado, a compra do Grupo Ipiranga inaugura um novo ciclo do setor petroquímico brasileiro. Zuñeda avalia que a consolidação no setor poderá ajudar a Petrobras a escolher os parceiros para a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) - um negócio de US$ 8 bilhões.
A Petrobras também deveria, segundo ele, participar da reestruturação societária da Petroquímica União (PQU), em São Paulo. "Existem hoje dois pólos petroquímicos fortes, o do Nordeste e o do Sul. É importante criar um terceiro, no Sudeste", afirma Zuñeda. O negócio implicaria a reestruturação societária da PQU com a Rio Polímeros.