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Lula: parceria Brasil-EUA pode mudar política de combustível do século

12/03 - 09:58, atualizada às 12:03 12/03 - Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", analisou hoje o acordo do etanol firmado com o presidente americano, George W.Bush, na semana passada e disse acreditar que os Estados Unidos e o Brasil sejam capazes de fazer uma parceria que "possa mudar a lógica da política energética na área de combustíveis no século 21".

"O que é que acontece na verdade? Os Estados Unidos são grandes produtores de álcool e produzem o álcool de milho. O álcool de milho é mais caro do que o álcool de cana-de-açúcar.

O Brasil precisa investir US$ 0,28 para produzir um litro de álcool, e os Estados Unidos precisam investir US$ 0,45 para produzir um litro de álcool de milho." Lula entende ainda que o mais importante é que está sendo criado um fórum internacional que envolve os Estados Unidos, Brasil, Índia, China, África do Sul e a União Européia.

"Nós estamos convencidos de que essa parceria passa por investimentos dos países mais ricos em países mais pobres para que eles possam produzir também o álcool ou produzir o biocombustível, o biodiesel." Perguntado sobre o que os países em desenvolvimento desejam agora dos desenvolvidos, o presidente Lula disse que Brasil, China, Índia, África do Sul, Argentina e México desejam que "os países desenvolvidos diminuam os subsídios que dão aos seus agricultores".

"O que é que eles querem de nós? Que a gente também faça concessões em produtos industriais e no setor de serviços. Estamos dispostos a fazer a nossa parte, levando em conta a proporcionalidade e a riqueza de cada país porque, no caso da agricultura, enquanto no Brasil ainda temos 25% de gente trabalhando no campo, e na África há países que têm 70%, na França você tem 2%. Significa que o peso agrícola para os franceses é muito menor do que o peso para um país africano", explicou.

"Esse tripé, na verdade, esse triângulo que estamos montando, cada um faz um pouco de concessão, é que vai garantir o acordo que todos nós estamos torcendo para que aconteça, porque isso seria a salvação dos países mais pobres", disse o presidente.

Commodity

Lula também considerou irreversível a transformação do álcool em uma commodity. "Eu acho que é uma questão irreversível. Na medida em que o álcool começa a ganhar corpo, começa a ser misturado na gasolina e os países do mundo inteiro começam a se preocupar em diminuir a emissão de gás carbônico e a mistura diminui a emissão, isso significa o quê? Que logo o álcool vai ter um preço internacional, portanto, vai ser commodity", explicou.

"Nós temos de ter mais responsabilidade, porque nós temos que, não só oferecer o álcool, mas garantir o suprimento do mercado brasileiro e do internacional." E complementou: "Por isso, nós precisamos plantar muito mais cana. É preciso dinamizar a cultura do álcool por outros países, levando em conta que nós temos de preservar duas coisas. Primeiro, preservar as nossas matas e a nossa fauna, ou seja, nós não queremos plantar cana-de-açúcar para produzir álcool e nem plantar oleaginosas para produzir biodiesel na Amazônia, por exemplo, ou no Pantanal. Nós queremos utilizar as áreas já degradadas para que a gente possa plantar."

Combustíveis x alimentos

Lula também aproveitou para responder a críticas de que os combustíveis provenientes da agricultura substituem a plantação de alimentos, pois "o problema do alimento hoje no mundo não é a falta de terra".

"O problema é que tem uma parte da população muito pobre que não pode consumir. Então, eu estou convencido de que nós estamos perto de um grande acordo. Eu estou convencido de que Estados Unidos e Brasil, se tiverem disposição de cumprir o protocolo que nós assinamos, nós estaremos dando uma virada na matriz energética mundial, na área de combustível, para os próximos 20 ou 30 anos."

O presidente disse ainda que "os Estados Unidos continuam sendo nosso principal parceiro individual, do ponto de vista do comércio, e são o maior investidor individual no Brasil".

"Temos uma relação histórica. Queremos mantê-la, queremos aprimorá-la, isso sem que nós abdiquemos do nosso compromisso maior, que é todo o processo de fortalecimento do Mercosul, a constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações e o processo de integração que estamos fazendo", concluiu.



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