Mostrado no Salão do Automóvel, em outubro de 2006, a versão esportiva Si do Civic já está nas revendas com preço sugerido a partir de R$ 99.500.
Feito em Sumaré (SP), trata-se do primeiro sedã nacional com apelo e comportamento esportivo desde o lançamento do Marea Turbo - no final de 1998 -, que perde o título de carro mais potente feito no País. O Honda tem 192 cavalos ante 182 cv do Fiat, que há muito tempo não é entregue às lojas e deve deixar de ser oferecido em breve.
Como pudemos dar uma única volta com o carro no Autódromo de Interlagos - sob a supervisão ferrenha de um piloto de competição - só foi possível tirar as primeiras impressões do potencial desse sedã.
O acerto de suspensão e do conjunto mecânico condizem com o visual esportivo. O motor 2.0, com duplo comando de válvulas, oferece o maior nível de rotação entre os nacionais da mesma categoria e passa dos 8.000 rpm - a partir desse ponto uma luz no painel indica que é melhor aliviar a pressão no acelerador antes do corte de ignição, aos 8.400 rpm. Antes disso, aos 6.100 rpm, atinge-se o torque máximo, de 19,2 mkgf, sendo que mais de 90% dessa força já aparece por volta de 3.000 rpm, segundo a Honda.
Esse ritmo frenético com que o propulsor pode trabalhar é apenas uma parte do que o carro tem para oferecer. O câmbio manual de seis marchas, com sincronizadores de carbono (mais resistentes), tem engates curtos e precisos, além de relações de marchas curtas, exceto a última, que deve ser usada para manter um nível de ruído confortável em velocidade de cruzeiro. E, como num carro desses o ronco do motor deve soar como música para os ouvidos, a Honda tratou de mexer no sistema de escapamento.
Não apenas os abafadores tiveram o volume aumentado e a geometria alterada, mas também o coletor de escape foi desenhado para dar a maior fluidez possível aos gases da queima da mistura ar-combustível. O resultado final não é um som tão grave quanto o dos primeiros Gol GTi 2.0, por exemplo, mas impressiona pelo timbre metálico que surge ao pisar fundo no pedal da direita. Como de costume, a Honda não divulgou os dados de desempenho do Si.
Nas curvas, o sedã transmite segurança graças não apenas às rodas de 17" com pneus 215/45 VR, mas também à suspensão, que recebeu molas 17% mais rígidas e barra estabilizadora alterada, além de reforço nos rolamentos e braços longitudinais do eixo dianteiro. Apesar de tudo isso, o vão livre em relação ao solo continua o mesmo das demais versões, mas com rolagem da carroceria 30% menor, segundo a Honda.
O objetivo é evitar que o carro desgarre nas mudanças bruscas de direção, com ajuda do controle eletrônico de estabilidade (VSA) e do diferencial com deslizamento limitado (LSD), encarregados de frear as rodas e controlar a rotação do motor quando o motorista passa do ponto. A melhoria nos freios inclui discos de 300 milímetros no eixo dianteiro.
A Honda planeja vender 1,2 mil unidades do Civic Si até o fim do ano, o que representa em torno de 120 unidades por mês. Conforme a demanda, pode chegar a 300 carros mensais.