Munique, 9 mar (EFE).- A Sociedade Européia Aeroespacial e de Defesa (EADS) teve um lucro líquido de € 99 milhões no ano de 2006, 94% a menos que o total de € 1,676 bilhão de 2005, informaram hoje fontes da empresa.
O faturamento chegou a € 39,434 bilhões, 15% a mais que em 2005.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortizações) foi de € 2,033 bilhões, queda de 53% em relação ao ano anterior.
Os co-presidentes de EADS, Louis Gallois e Thomas Enders, que apresentaram os resultados à imprensa em Munique, informaram que a análise dos números de 2006 revela duas observações opostas. Existe uma vitalidade no grupo, mas a repercussão negativa dos atrasos do A380 e do A350 comprovam a "urgente necessidade de implantar a reestruturação da Airbus".
Os dois destacaram o aumento do faturamento e um balanço positivo em todas as divisões. Mas o atraso nas entregas do A380 e a valorização do euro em relação ao dólar "reduziram os lucros".
Para 2007, a prioridade da companhia é "promover melhoras operacionais, restabelecer a credibilidade do grupo e edificar uma EADS mais dinâmica". A previsão é de um aumento nos lucros de apenas um dígito, devido fundamentalmente à taxa de câmbio euro/dólar.
Enders e Gallois se mostraram otimistas nas previsões sobre o aumento de entregas de aviões. Mas eles reconheceram que o ritmo de crescimento será mais lento. A expectativa é de melhorar a situação da Airbus, ajustando seus custos com a aplicação do programa Power 8.
A maior parte do faturamento corresponde à Airbus, responsável pelo setor de aviação comercial, que cresceu 14%. Mas seu Ebit (lucro antes de juros, impostos e extraordinários) foi negativo: € 572 milhões de déficit, contra o lucro de € 2,307 bilhões de 2005.
A Airbus teve problemas com o desenvolvimento dos programas A380, com um atraso na entrega, e com o A350. Por isso a diretoria resolveu implementar o Plano Power 8, a partir de 2007, com um corte de 10 mil postos de trabalho em quatro anos.
A divisão entregou, no entanto, um número recorde de aviões em 2006. Foram 434, contra os 378 do ano anterior.
A divisão de aviões de transporte militar teve uma receita de € 2,2 bilhões, alta de 188%. A unidade vai oferecer ao Governo dos Estados Unidos aviões de reabastecimento em vôo, em consórcio com a Northrop Grumman.
A Eurocopter manteve sua posição de liderança mundial, com receita de € 3,803 bilhões, 18% a mais que em 2005. Foram 615 helicópteros, contra 401 do ano anterior.
A divisão do espaço manteve a tendência de crescimento sustentado, e aumentou seu faturamento em 19%, para € 3,212 bilhões.
Na unidade de Defesa, a renda cresceu 4%, até € 5,864 bilhões, graças aos programas de mísseis e ao Eurofighter. EFE jf mf